domingo, 26 de febrero de 2012

Tosse

Numa manhã escura, com gosto de noite em claro, sob suspiros de um pulmão doente e outro fumante eu escarro na pia, junto ao sangue um pouco de saudade, que logo se esvai pelo ralo. E como ratos rastejando na imundice, a saudade só se sente em casa quando está no esgoto, pois a tal saudade é assim... Ela é amarga e fede.
Às vezes eu esqueço e de tanta fome que sinto de ti, engulo o catarro. Em minhas veias e vias a saudade está em casa novamente, pois dentro de mim o coração é meu próprio e fiel esgoto.
Cansado até para respirar eu já não luto, apenas sinto, já que este é o desgraçado fato, o destino de uma alma tuberculosa...

domingo, 19 de febrero de 2012

Fumegante

Pra cada estrela que se apaga
Eu acendo um incenso...
A pele atrela e queima sua chaga
Mas mesmo amanhecendo, de sono suspenso
Cada chama espera, dorme e depois apaga

lunes, 13 de febrero de 2012

Em um Olhar

Um silêncio esvazia o universo.
Um segundo que paralisa as eras,
Como o vento que chega perto
Sussurrando gelado o seu advento...

Mas é o calor do coração que ouço
Em compassos como gritos de feras.
Para depois levar meus olhos a repouso
E tomar do adormecido o seu tempo...

Chegada a hora de seguir um caminho,
A estação de descansar as terras
Em brandos goles do vinho
E fazer da mente meu templo!

Em um olhar, o mundo que se faz parar,
É pura e leve, a imaculada perfeita esfera.
É meu e teu, o sangue que começa a pulsar
No teu olhar...um murmúrio sereno.

Meu templo na tua clara emoção!
Com o brilho da estrela que queres.
O amor vai ninando meu coração
Em um sono eterno, o qual não temo...

lunes, 6 de febrero de 2012

Olhares

Mesmo de longe, por um ou dois segundos
Nessa curteza de tempo e noção de espaço
Na incerteza e na profundeza. Era terrível segredo...
Agora não finge. Finge não ter emoção. Desregre!
Que eu finjo seguros os meus irreversíveis passos.

domingo, 5 de febrero de 2012

Prato do Dia

Como se um dia eu despertasse pela manhã, sem reconhecer as paredes ao meu redor, nem o corte de cabelo, e aí me pergunto há quanto tempo estou vivendo a vida sem pensar exatamente como fui parar ali.
De acordo com meus cálculos são 23 anos... Alguns meio morto, outros mais vivo que nunca.
Já brinquei com fogo e andei na brasa. Tentei voar sem asas. Quebrei uns ossos, quebrei o coração... Uns corações. É... As coisas mudaram muito, e a receita pra viver eu já decorei. Mas hoje eu esqueci uma panela no fogo... E o sangue ferveu.

viernes, 3 de febrero de 2012

Estima

Eu saí só pra procurar um rumo
E aí o destino prostou rumores
De que você esteve naquela rua
Provando a estesia que eu arrumo

miércoles, 1 de febrero de 2012

Atrasado

Eu desisti de você
Mas ligue-me se quiser.
Não há como assombrar
Um amor que está atrasado...