jueves, 8 de diciembre de 2011

A Face do Amor - Parte II

O cenário não passava de um deserto. Um deserto imerso em luz.
Como se, ao contrário, de repente eu me percebesse presente ali, e parecesse não ter antes chegado, ou mesmo acordado, eu apenas observava, enquanto aquele mundo não parava. Ele falava, quase com raiva, eu ouvia, sentia... Medo, toda vez que ele partia, mas prometia voltar.
- O que fazes aqui? – Implorei.
-Estou para te proteger.
-Quem és?
Sem responder, foi ao poço buscar um pouco d’água. Era profundo, assim como a mágoa, mas prestou o favor.
Enquanto ele estava fora, Ela apareceu. Eu, sem saber o que, temi. Pediu que a olhasse, e quando o fiz, me perturbou. Sua face aos poucos mudou, e em breve se tornou Aquela. Prendeu meu olhar, roubou meu pulsar, e esqueci. Logo sua face já era Outra, e segundos mais não decide, apenas flui, como o ar que eu exalava.
- Não olhe! – uma voz ecoou de muito longe, como um vento, uivando cada vez mais alto até que nos ensurdeceu, a mim e a ela.
Ela partiu, voou, em um alento tão brando... Até que apodreceu tudo entre mim e ela.
-Não olhe, ela é um demônio para ti.
-Já partiu.
-Estás seguro por hora.
Partiu.

No hay comentarios:

Publicar un comentario