sábado, 24 de diciembre de 2011

Doce Peste

Pensamento.
Eu penso
E minto.
Mental
E sentimental
Eu sinto... muito
Mas o pressentimento
É de que sou pestilento
Tenho a peste
Sou a mênade
E minha meta optata
É a beira que dilata
Cujo beijo
É metade chocolate
E metade menta.

jueves, 8 de diciembre de 2011

A Face do Amor - Parte II

O cenário não passava de um deserto. Um deserto imerso em luz.
Como se, ao contrário, de repente eu me percebesse presente ali, e parecesse não ter antes chegado, ou mesmo acordado, eu apenas observava, enquanto aquele mundo não parava. Ele falava, quase com raiva, eu ouvia, sentia... Medo, toda vez que ele partia, mas prometia voltar.
- O que fazes aqui? – Implorei.
-Estou para te proteger.
-Quem és?
Sem responder, foi ao poço buscar um pouco d’água. Era profundo, assim como a mágoa, mas prestou o favor.
Enquanto ele estava fora, Ela apareceu. Eu, sem saber o que, temi. Pediu que a olhasse, e quando o fiz, me perturbou. Sua face aos poucos mudou, e em breve se tornou Aquela. Prendeu meu olhar, roubou meu pulsar, e esqueci. Logo sua face já era Outra, e segundos mais não decide, apenas flui, como o ar que eu exalava.
- Não olhe! – uma voz ecoou de muito longe, como um vento, uivando cada vez mais alto até que nos ensurdeceu, a mim e a ela.
Ela partiu, voou, em um alento tão brando... Até que apodreceu tudo entre mim e ela.
-Não olhe, ela é um demônio para ti.
-Já partiu.
-Estás seguro por hora.
Partiu.

martes, 6 de diciembre de 2011

Canse em Paz

Sempre conjuguei a solução em um futuro mais próximo. No começo era a esperança. Mas foi com a desculpa de que amanhã o sol brilhará mais, e ano que vem as coisas mudarão, ou que da próxima vez tudo dará certo, que eu encaixotei passados inacabados e deformados.
Mas a verdade é que toda minha vida está se transformando num depósito de belas metades póstumas.

A Face do Amor

Já só, contemplando outras flores, ela veio, trazendo horrores. Agora com outra aparência, ela fitava sem clemência através de olhos conhecidos, os meus quase desfalecidos. Um sorriso obverso e um olhar perverso. Minha vontade anteposta levou a um bramido insultuoso e ao socorro iminente, de um ódio que condenaria. Sua face parecia fumaça, mudava, dançava, e não se concentrava em nada mais. De um rosto a outro ela escondia e mostrava um que era seu próprio, o demônio mais horrendo. Eu mesmo.

jueves, 1 de diciembre de 2011

A Queda De Um Serafim

Qual das minhas verdades é a verdade?
Quantas das meias verdades não passam de vaidade?
Eu tão jovem não pensei que enlouqueceria
Mas no vão do amor, sempre soube que me perderia...

Mas não passa a loucura
De uma podre fruta
Adoçada a beijos sob uma vinha
Amargada à solidão a se vingar

Esfomeado das palavras que, pra ti, não têm mais sentido,
O vício as repete a cada dia, na mente que parece latir.
Farta das parvoíces mais doces, mas que não saciam,
A virtude me leva à próxima lata de lixo em um siar...