miércoles, 30 de noviembre de 2011

Horóscopo

Ele acordou, abriu a janela e respirou fundo. A chuva estava chegando. No banheiro, esboçou um sorriso ao espelho. Preparou seu café, e enquanto se deliciava com o aroma, abriu o jornal. Pensando em seu futuro, leu o horóscopo:
Pra você, leão, hoje todos os sonhos, carinhos, desenhos, sorrisos e panquecas estão enterrados vivos; tome mais cuidado ao desalinhar os planetas, mesmo que você não tenha qualquer controle sobre algumas coisas, a culpa será sua.
Fechou o jornal, tomou um gole de café quente, pensou "eu já imaginava que não teria qualquer futuro", e decidiu sair sem guarda-chuva.

martes, 29 de noviembre de 2011

Autofagia

São as consequências de trazer à consciência
E comprazer a fome de meus defeitos
Constrito a desconstruir a própria putrecência
Para carnifazer e comer o próprio peito

domingo, 27 de noviembre de 2011

Que me ama

Na minha cama tem uma mancha do seu sangue,
E no seu sangue tem uma mancha que me chama.

Convite para velório

Não há esperança no mundo,
Eu sinto muito.
Só um monte de lixo, que só cresce.
Acredite.
E de tão imundo, eu já não minto.
Pois as verdades são sujas
As minhas e as suas
E as respostas sempre longe
Não estão nestas ou naquelas portas
Afinal o dente é bem mais duro
E a mordida bem mais perto

Pois a verdade não está em outro porto
A verdade é que o futuro sempre esteve... morto

Morrer sem tentar é meu lema

É mais fácil ignorar seu problema enquanto só você pode ignorá-lo.

jueves, 24 de noviembre de 2011

Prove agora o seu veneno

Por favor, prove um pouco da minha solidão,
Tente amar alguém que não se importa.
Sente-se comigo e provoque qualquer solução,
Pro caminho que te acolhe e depois te aborta.

Sinta-se como eu sempre me senti ao seu lado
E veja em nosso abraço o tamanho da desproporção
A cegueira do seu coração com caminhos selados
Que se afoga tentando se salvar da sua própria ação.

Eu mostro uma última vez, a última chance.
Te ofereço todo o pouco que me resta
Pra ter sua gratidão ao meu alcance

Sim, sinta raiva. Não sinta qualquer culpa
É unicamente um espelho do que não presta.
Mate-me, pois você é o sacrifício do próprio culto.

miércoles, 23 de noviembre de 2011

Eclipse

Quando perto, brilham impetuosamente
Deleitam-se de todo pólen, afásicos
Em seus peitos algo briga impiedosamente
Deitam-se. Mas não podem tangir. Afastados

São filhos bipáridos de um mesmo amor
E afastam-se, polutos dos mesmos ares
Breve voltarão no ciclo de um astro morto
Mas hoje um odeia e outro ama. Bipolares

lunes, 21 de noviembre de 2011

Encruzilhada

Nosso encontro foi a intersecção
Entre o  meu caminho e o seu
Ficará o rastro de uma ficção:
Algo que você não foi pra mim
E Algo que eu só pareci pra você

E foi sempre passado
Quando nasceu, viveu, e amou
Pra mim, mais farsa do que eu queria
Pra você, mais verdadeiro que deveria
Assim adoeceu e morreu, mas amou

Banho de chuva

"Provavelmente o maior defeito do ser humano é não nascer sabendo aquilo que todos deveriam saber, e que acabam apredendo até o fim da jornada. Vêm nesse pacote os instrumentos, os quais usamos pra aprender todas as coisas da vida, e são eles petrechos como: a dor, o erro, a insatisfação, a mágoa, o prazer, a tristeza, o arrependimento, etc. Mas de todos, o pior elaborado é a lembrança.
As memórias são como marcas de um mochador. Cada uma delas uma marca no couro. No momento em que o ferro em brasa toca a pele a sensação é insuportável, queima tanto, não é tão ruim quanto o restante. Daí em diante fica o ardor, assim como as lembranças, talvez uma ou outra bolha. Até que o ardor passa... E a marca fica, eternamente. Em alguns momentos você já nem lembra mais, é só uma marca mesmo. Mas algum dia você ouve aquela música que chega a ter cheiro e sabor, você ouve alguém gritando aquele nome na rua, e então seu pescoço endurece e seu sangue corre gelado com aqueles batimentos fortes e inesperados do seu coração, você vai limpar seu quarto e acha tudo aquilo... E então olha pras suas marcas, toca nas suas lembranças, sejam elas boas ou ruins. Está tudo ali só pra ensinar uma lição? Ou está tudo ali sem propósito algum? Seja qual das duas opções for, é um fato desconfortante.
Eu mesmo hoje tomei um banho naquela chuva, a temperatura estava igual daquela tarde. tão gelada que eu não podia parar de rir, e eu lembrei porque estava rindo... E me senti feliz, mas, por mais ridículo que possa parecer, a chuva parou nesse momento..."

domingo, 20 de noviembre de 2011

Descuidado

Eu olho para ela. Olho sem medo.
Eu a sigo, obsessivo.
Por aquela rua. Por seus olhos
Nutrindo minha semente
Que me faz sempre culpado
Eu a observo, sem cuidado

Vestígios de Sangue

Uma presença ausente
Tropeçando em meus pulsar,
Pelo perfume que se sente
De uma tarde sem acabar...

Ainda morno, o ar pensante,
É um quadro de pétalas a voar;
Puro e ao sabor de sangue.
São vestígios que fazem suspirar

Agora olhar, sem saber para onde!
Nos rios congelados implorando borbulhar
Livremente, quentes, até a fonte
Da magia que faz o tempo parar...

viernes, 18 de noviembre de 2011

Atire Agora

Quero que tudo morra aos poucos. Todos.
Espero ficar rouco de falar besteiras sem sentido,
Revolvendo o passado que joguei no poço
E adormecer louco, com o revólver na cabeceira

martes, 15 de noviembre de 2011

Ferro em Brasa e Gelo

Eu digo. Calado.
Todo dia, ao seu lado.
Sou o troglodita no calabouço.

Eu te abraço com as mãos no bolso
Com a brasa no aço e com a asa no pouso.
Assoberbado pelo aglomerado de tão pouco

Tão pouco caso
Tampouco eu canso
De tanto tenso espaço
Enquanto você só escapa

E de tão quente, eu esqueço
Pois deitado contigo me aqueço
Ainda contido no seu frio espesso
Mas contente com o deleite fronteiriço.

viernes, 11 de noviembre de 2011

11

"Por um tratado e um triz temos uma era
Se a lua comer e vomitar a si mesma, noite a noite" 






Dedicado a uma das pessoas mais especiais da minha vida. E hoje a lua está cheia de novo. Vejo-te em breve, pra cumprir nosso trato.

miércoles, 9 de noviembre de 2011

lunes, 7 de noviembre de 2011

Nada Aconteceu

Meu coração ainda admira
Cada uma de suas mentiras
Que sempre fingem me proteger
Mas apenas querem te esconder.

E a cada segundo eu tento roubar
Palavras de amor que você não quer dizer,
E abraços de carniça que vão me matar
Mas isso é tudo que me faz querer viver.

viernes, 4 de noviembre de 2011

Reflexo oxulfeR

- E se eu não te amo o quanto parece?
- Então você sabe mentir muito bem.
- Ah, pode ter certeza que eu sei.
- E por que você faria isso?
- Você não faz o mesmo?!

Clausura

Eu desafio, ela desvia.
Eu desfaço, e ela, de fato,
Não dá espaço.

jueves, 3 de noviembre de 2011

Perecendo

A aparência é apenas uma parede...

Tentei transparecer.
Transpareci, transpareci,
Até que, enfim, desapareci

E Quanto a Mim?

Doentio!
O nojo do sangue frio,
Está nos entes e membros
Em cada orgão, desde o âmago vadio
Até os dentes em um ângulo crescente
Um sorriso em ordem, mas embromado.

Desonesto!
Sou comigo mesmo
Uma mentira sem freio
Sou, e detesto, sempre mesto.
O soro dos olhos sendo derramado
Lentamente, frendendo, bramando...

Desisto...
De tudo isto.
Blefei, traí, enquanto amei.
No silêncio de mais um desastre.

E quanto a mim?

Desiludido.
Planto meu cadáver.
Essa flor que nunca brotará
Estafada de solos sem caráter.
Estive sozinho enquanto a amei...
Mas e quanto a mim?