sábado, 20 de agosto de 2011

Leoce

Foi um abraço demorado o suficiente para eu me perguntar por que o abraço era demorado. Incondizente com tudo que houvera até ali... Pois nada fora dito. Tudo meigamente subentendido. Mas a história nunca é bonita.
- Eu me apaixonei por você, sua desgraçada! – Disse rispidamente, mas sorrindo.
- Eu sei disso, e não acho ruim. Até deixaria tudo por você, mas não posso deixar tudo. – Ela sorriu e se entristeceu.
- Eu aceito a derrota, mas continuarei tentando. Até você fazer algo. – Minha vez de ser o triste.
- Mas você é que precisa fazer algo. – Finalmente revelou.
- O que me garante?
- Nada. – Ela disse desafiando minha segurança.

Calou. Sorrimos. Desfizemos o abraço. No fim das contas isso foi apenas um abraço demorado. Conversando com o silêncio.

miércoles, 17 de agosto de 2011

Névoa dos Pampas

Um frio que invade os ossos
Mas aqui o intruso sou eu
Nadando em um mar inóspito
Um mar branco, do verde que morreu

Onde não se espera a noite
Pro orvalho chegar
E sempre é noite
Pro sol brilhar

E não é preciso tabaco
Nem mesmo fogo
Pra ver fumaça dançar
Um vinho de Baco
Um fauno
Faz o corpo esquentar

É a bruma tímida
Que não mostra nem um palmo
E não deixa lúcido
Mesmo o homem mais calmo...