lunes, 14 de junio de 2010

PLPO - Os Profetas Urbanos

Quando você está em um lugar público como a parada de ônibus várias coisas podem acontecer. Conversa com alguém sobre o clima, sobre política, pergunta sobre os ocorridos, encontra conhecidos. Quando eu estou em um ponto de ônibus duas coisas podem acontecer: A primeira, e mais normal, é que ninguém fala comigo, como se eu fosse um louco, um drogado marginal e psicopata. A segunda é que loucos, marginais e psicopatas vêem falar comigo.
Há alguns anos no passado, eu despendia uma tarde ensolarada e morna de agosto com minha primeira namorada, era um amor tão ingênuo quanto a praça que observavamos enquanto esperavamos o ônibus que ela precisava embarcar para ir embora e não chegar muito tarde em casa. Eu já disse que era uma tarde, correto? Pois bem, pouco antes do apressado ônibus das 18, que era o dela, passou uma figura desconcertante diante de nós. Nada como um pouco de realidade para nos lembrar do mundo. Era uma velha, cujos cabelos me fizeram acreditar que ela ouvia reagge. Levava um cabo de vassoura como uma bruxa caminha com seu cajado por entre túmulos. Mas suas roupas desmentiram, e mostraram que ela era uma andarilha ou coisa do tipo. Ela passou e voltou, como se lembrasse de algo, dizendo:
- Vocês são namorados? - nos perguntou.
- Sim - a garota ao meu lado respondeu.
- Você gosta dele? - a conversa continuou com ela.
- Sim...
- Mas ele é um vagabundo.

Silêncio...

Sinceramente, você, o que faria? Eu olhei. Olhei mais. Foram uns 5 segundos de silêncio quando eu resolvi acabar com isso de uma vez por todas. Falar sobre meus princípios morais, e sobre o que eu pensava sobre a questão antropológica e ultrapassada da traição, talvez até citar a indignação com a descriminalização do adultério no código penal. Mas eu disse:
- Quê?!
- Sim!!! Você tem essa cara de bobo, mas você não me engana!
- Além de tudo, obrigado pelo "cara de bobo".
- Por nada. Você merece! Não estrague a vida da moça!
- Eu... - fiquei raivoso - Tudo bem. Farei isso.

A tarde terminou com um interrogatório desconfiado, típico de namoradas.
Não lembro se a profeta era vesga, mas acredito que sim. Pois, no fim, a profecia se concretizou mesmo quando meses mais tarde eu fui traído pela minha namorada... Algumas vezes.

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