miércoles, 19 de mayo de 2010

Mero Observador

Repousava desfalecido em berço de sombras e frio
Quando de olhos em canto vi um límpido relance
E um terno vício corrompeu a mente por um fio
Mas era tamanho encanto longe do meu alcance

Então nas trevas permaneci, observando
Aquele misterioso olhar esmeralda...
E temo que, espreitando, me torne nefando
Pela beleza escondida em uma grinalda.




Algumas vezes o artista se depara com o apego ao belo, e então sua intimidade com a natureza aumenta, pois além de observador, sua inspiração o torna criador. No entanto certas vezes essa observação exige um aprofundamento maior, e isso não é possível, ocorre uma certa utopia. E se o belo é ainda complementado por afinidades e substâncias bem mais profundas que a mera beleza, o risco de paixão socrática, entre contemplador e belo, é maior. Mas ainda é seguro para um mero observador.

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