viernes, 30 de abril de 2010

Os outros são realmente terríveis. A única sociedade possível é a de nós mesmos.

Em uma dessas tardes eu caminhei da minha casa, pensando em me afastar um pouco do tédio. Fui ao bosque onde costumo desenhar, e assim permaneci por algum tempo, perdido em pensamentos. Quando então olhando para qualquer outra paisagem eu avistei algo, que no início com todo meu sarcasmo, pareceu-me bizarro. Mas a desgraça caiu sobre mim, como sempre acontece quando aprofundo os pensamentos:
Eu olhava para uma lixeira, era uma lixeira pública, que parecia uma casinha de cachorro. uma caixa de concreto ao chão, de um metro e meio por dois metros, com uma tampa também de concreto e uma abertura em uma das laterais para depositar o lixo recolhido do bosque. Eis que chega uma figura quase despida, e toda suja, mendicante e ébrio, e então se aconchega nessa "casinha". Ri-me da desgraça humana, que muitos achariam extremamente normal e me julgariam desconhecedor da realidade ou até mimado por barreiras sociais. Mas eu nasci nessa cidade, admito que moro e sempre morei no subúrbio, à beira de uma periferia, e meus amigos de infância agora estão presos, mortos ou traficando, nem por isso permito-me achar isso normal, comum é sim, normal não. Mas também nada me enoja nessa situação pois é produto natural da sociedade, mas isso é uma outra longa discussão, que por agora seja ignorada, como sempre foi, pois interessa-me relatar o que se passou por seguinte, não bastasse o suprarrelatado:
Após  um minuto ou dois do repouso da figura em seu abrigo, veio um comerciante dos arredores, com seus 70 anos, se não mais, e com sua nobre moral foi até o local, e na mesma mão que todas as noites leva a bíblia para a igreja, trouxe para ajudar a afastar todo esse mal da sociedade, uma vassoura! Ele a golpeou algumas vezes, enquanto eu me levantava, chegou outro homem e impediu que a cena continuasse.
Seria belo e muito melhor se este homem seguisse seu caminho e voltasse a omissão deixando-a ali. No entanto, ele trouxe dinheiro a ela... E ela lhe deu algum pacote "misterioso" que tirou das roupas íntimas.
Concluo aqui declarando publicamente que minha impotência perante a involução humana é produto de uma larga preguiça e egoísmo, não assumidos, pois se assim o fossem, estaria vivendo como eremita em qualquer pedaço de terra isolada que ainda resta.

3 comentarios:

  1. O único comentário possível é o título da sua postagem:
    A única sociedade possível é a de nós mesmos.

    ResponderEliminar
  2. Muito indecente. Minha mae disse que so existe isso em novelas da Globo. (Privado de acentos graficos).

    ResponderEliminar