viernes, 26 de marzo de 2010

A Tocha De Hecate

Acompanhava-me entre sombras trêmulas
Um fantasma que dizia:
“Certo coração descansava neste túmulo
Colhera doces frutos a mais de dúzias
Cantava coloridos sonhos e fábulas
Até conhecer uma dama que conduzia
E hasteava suas danças às flâmulas...
Mas depois o coração não mais sorria.”

Curioso eu me debatia...
Aos portões parei, com medo
Se eu cruzasse, o que aconteceria?
Eu não pretendia morrer tão cedo

Mas a graça acaricia
Intimida com uma espada torta
Esbofeteia com a mão macia
Aquele que não se importa

Andei dois passos traiçoeiros
Pude voar no terceiro
Pois avistei a beleza
De uma oitava grandeza
Duas estrelas brilhando
Num negro céu de outono
E um par de lábios sorrindo
Envoltos em traços patronos

A mão eu estendi
Uma dança aceitou
Quando uma palavra recitou
Uma música eu entendi
Então ao fantasma agradeci

Os olhos de archote eu fitei
E às chamas me lancei

Assim minha dúvida logo sanei
Quando um beijo a pedi...
E como fantasma acompanharei
A doce morte que mereci

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