martes, 23 de noviembre de 2010

Paradoxo TV x Mãe

Se você deseja ter uma TV, não pode ter uma mãe em casa.
Mas se você tiver uma mãe, o único jeito de ter paz, é tendo uma TV em casa.


Soluções:
Tenha mais de uma TV, mas nunca tenha mais de uma mãe;
Não tenha mãe;
Não tenha TV (se não tiver mãe).

jueves, 11 de noviembre de 2010

Conto de Fadas

Será uma certa magia
Esse tempo que te escondia?
Ou será que naquele dia incerto
As estrelas chegaram mais perto?
Causando um estranho universo
Onde as cores sorriam
E pelos reinos de portões abertos
Os sonhos corriam
Ardendo, e escondendo
Os segredos que nem as fadas sabiam
Mas que fitando teus olhos adentro
Não resistiam, e se desfaziam
Era o desejo,
Era do coração, o centro!
Ou seria um conto isso que vejo?
Não como qualquer conto que conheço,
Daqueles que sempre terminam com um beijo
Mas sim um daqueles em que o beijo...
É apenas um começo.

martes, 26 de octubre de 2010

sábado, 16 de octubre de 2010

Às Vezes Vou à Praça

Às vezes demora
Anos pra te encontrar
Horas sem se o sol se mostrar

Às vezes demora
Meses pra passar
Simplesmente uma hora

Às vezes demora
Ele não vem
Ela chora

lunes, 11 de octubre de 2010

Destino

É o que dizem sobre o destino:
Cego, acorrentado e faminto;
Mas é o mais livre, mesmo contido,
Pois sabe do princípio, meio e fim.

 (a arte não é minha, não sei referenciar o autor ao certo, pois participaram da obra - Sandman, Fim dos Mundos - vários artistas.)

viernes, 1 de octubre de 2010

Nexo Causal

Ela faz tudo errado e tudo de errado, e então as consequências são culpa das curvas da vida:
Oh! Vida injusta!

miércoles, 29 de septiembre de 2010

Fora do alcance.

Quando o aquilo que se crê ser o ponto derradeiro de um caminho a ser traçado, torna-se apenas mais uma idéia não mais que fantasiosa, tudo o que concerne a isso foge à regra, nada é exato, a tolerância não mais que uma fraqueza representa, e a lâmina da ignorância se torna cada vez mais afiada.

martes, 28 de septiembre de 2010

Diariamente.

O dia tem significado apenas para quem trabalha, estuda ou exerce algum outro compromisso; e naturalmente, é simultâneo para qualquer outra pessoa, o que torna possível tanto modificarmos a realidade daquelas que se fazem presentes ou próximas, como elas fazerem o mesmo conosco.
Acordar em determinado horário todos os dias e programar o relógio após despertar para tocar alguns minutos após o primeiro toque, já é um trauma que vem à mente todas as noites em que durmo tarde, o que acontece sempre, pois vizinhos fazem barulho, animais também, e a maldita televisão sempre tem alguma intriga muito interessante nas novelas para atrair todos os moradores que a contemplam devido à sua surrealidade.

Mas ainda assim, consigo levantar no horário que pretendo sempre, para me dirigir a algum ponto de ônibus, pois nunca pego o mesmo ônibus, e então seguir o mesmo trajeto que consome boa parte do tempo que eu poderia utilizar para realizar alguma coisa útil ou simplesmente não ter que aturar situações desagradáveis. Por vezes, devido ao fato de outra pessoa parar um ônibus na frente daquele que você deveria tomar, pegar (os verbos para esse uso são realmente um tanto que incoerentes), impossibilitando assim que o seu transporte pare e você siga despreocupado para seu destino. Então, sem opção você as vezes pega um transporte que não tem o destino que você esperava, mas ainda é interessante, quando você encontra pessoas que gostaria de encontrar com mais frequência.

As vezes estamos convictos de que ninguém mais além de nós é apto para deitar a confiança ou segurança aos braços daquela pessoa que sentimos necessidade de ter por perto, seja pela fragilidade que ela representa, por afeto demasiado, chegando a ser supérfluo as vezes, de qualquer maneira, mal interpretado. E quando presenciamos a preocupação de outro indivíduo para com esta pessoa, sentimos que talvez sejamos negligentes por não pensar nisso que aquele indivíduo pensou e que aparentemente beneficia a condição do nosso 'protegido'. Além de inveja, sempre vem um pouco de descaso, que nos faz questionar a nós mesmos se tudo o que foi feito até agora, foi suficiente, se teve impacto algum ou mesmo necessidade. Assim nos sentimos também, no direito de não fazer caso algum do que vir doravante, algo que não conseguimos realizar com perfeição.

Tão somente o ato sugerido por outra pessoa é realizado, nos sentimos invisíveis a partir de então, nada tem mais significado ou tudo se torna insípido, sem valor algum. E ainda assim nos deslumbramos sozinhos com o que nos demonstra a pessoa que tem para nós um valor imenso, embora, o trajeto sempre chegue ao final, e a pessoa que gostaríamos que permanecesse por muito tempo, sempre parte antes que você. Adeus intensidade, tudo o que não gosto de denominar 'rotina' se recomeça e os momentos posteriores sempre remetem a este. Como eu odeio acordar cedo, pegar ônibus e ir trabalhar!

domingo, 26 de septiembre de 2010

Algo semelhante à rotina..

É sempre tão difícil dizer qual é a data de 'hoje' ao certo; quase sempre descubro a resposta para este detalhe por meio de outra pessoa, que também não descobre nada além da data. Talvez lembre de algum compromisso, alguma data em que há muito tempo aconteceu algo, associe números, e fica por isso. É desta maneira que os dias começam a passar despercebidos, e para se tomar consciência de tal falta, lembro-me daquilo que já desejei algum dia, que de alguma maneira em minha imaginação seria possível de se realizar, minha idade na época de tal pretenção instantaneamente vem à tona e assim comparo à idade atual, lembrando-me em seguida das características contemporâneas. Se tudo continua da mesma maneira, é porque eu realmente quis assim, se não pude aprimorar condição alguma que se faz imprescindível para conquistar o que tanto me ilude, foi porque eu mesmo não tive vontade.

Pois é, a culpa deve ser imputada a algum indivíduo que a aplique da melhor maneira, e sinto que quando algo que me afeta está fora do controle, e me vejo privado de atitude qualquer, então o constrangimento dilacera meu ser, pois sei que a culpa deve ser atribuída a mim por participar de tal vivência. Afinal, também tive impressões, delas surgiram sínteses de concepções, e logo vieram algumas conjeturas. Não se deve esperar o que não é certo. O que se deve esperar então? E neste ponto sempre me angustio. A quais 'verdades' devo me apegar? A idéia que me parece mais aceitável, é a de que temos perspectivas muito diferentes, de acordo com as maneiras pelas quais as proposições nos são expostas, mas muito antes de chegar a uma análise disto, é necessário ter disposição, vontade.

Se obedecesse minha vontade, talvez não possuísse 'vida social', ou qualquer coisa que se entende por isso. Essa indisposição surge na medida em que o tempo fecha, coincidência? Não, mas tendência; fatos, lugares, palavras, símbolos. Sempre que a visão se turva, os únicos sons são o dos trovões, pássaros ou vento; e a qualquer caminho que possa trilhar, dificilmente encontro qualquer alma. Em outros tempos detestava a chuva, não sabia contornar a situação de acordo com o que ela proporcionava, exceto quando ela me abstia de compromissos. Ainda acontece atualmente, mas, muito além disso, ela facilmente pode se tornar um símbolo, de acordo com a impressão que cada um pode ter ao parar a fim de simplesmente, observá-la, ou molhar-se indesejadamente, refletir ao som de toda a orquestra natural de uma tempestade, ou ainda realizar qualquer outra atividade que destaque tal fenômeno.

Mas não é sempre que chove, então por que há indisposição? O estado permanece quando me deparo com a saciedade insípida do que me é proposto diariamente. Toda a decadência é passiva de conceitos, imagens e o que mais for possível atribuir a ela. Atrativa? Quase nunca. E detesto pensar que 'perdi' muito tempo com alguma atividade, sem aprender ou realizar algo que, senão benfazejo, ao menos útil. Sempre achei ridículo ouvir 'por que você estuda tanto?', embora eu sequer faça faculdade, que é o ápice das promessas profissionais mais 'consumido' atualmente.

Se você não faz faculdade, não é ninguém, da mesma maneira que você que fez e não trabalha em alguma multinacional ou empresa que lhe mantenha longe da ponte da amizade, variedade de hotéis ou o comércio da Avenida Brasil. Mas sinto que hoje grande parte das pessoas que me perguntavam aquilo, não vão mais me perguntar. Ah sim, não acredito que elas possam realmente ter algum proveito com os estudos, da mesma forma que, sei que muitas outras nunca necessitaram disso, e estão em condições muito mais favoráveis, ao menos que as minhas. E atualmente, este é mais um motivo para aprender algo. Embora, talvez isso não leve a lugar algum mesmo, então aquilo que me perguntavam, possa ter sentido algum dia..

sábado, 11 de septiembre de 2010

Semana Literária SESC PR

Segunda começa aí mais uma Semana Literária do SESC
segue a programação:


Dia 13-09, às 19h30 – Palestra: “Existe uma literatura pop?”, com o escritor e comentarista da Globo News, João Paulo Cuenca.

Local: Salão de Eventos Sesc.

Dia 14-09, às 19h30 – Palestra: “A crônica na sedução do jovem leitor”, com o escritor e jornalista Luiz Andrioli.

Local: Salão de Eventos Sesc.

Dia 15-09, às 10h40 e 16h40 – Contação de histórias musicadas com Rosy Greca.

Local: Salão de Eventos Sesc.

Dia 15-09, às 19h30 – Palestra – “Educação Digital”, com Rodrigo Chibiaqui.

Local: Salão de Eventos Sesc.

Dia 16-09, às 19h30 – Palestra: “Crônica: elemento cotidiano”, com Tiago Rodrigues.

Local: Salão de Eventos Sesc.


Dia 17-09, às 19h30 – Palestra – Lançamento do livro “Tratado Secreto de Magia” da autora Lhaisa Andria.

Local: Salão de Eventos Sesc.

Vigília Literária

Mostra Leituras Poéticas no Cinema.

Dia 17-09, às 22h – Vale dos poetas (dir.: Marcílio Brandão, BRA, 2002, 21 min.).

Wenceslau e a Árvore do Gramofone (dir.: Adalberto Muller, BRA, 2008, 15 min.).

Dia 18-09, às 19h30 – Litania da Velha (dir.: Frederico Machado, BRA,1997, 16 min.).

Infernos (dir.: Frederico Machado, BRA, 2006, 13 min.).

martes, 7 de septiembre de 2010

Dos possíveis significados das palavras.

Quando existe a necessidade de se expressar, e os participantes de uma conversa dispõem de um vocabulário apropriado para realizar tal tarefa, é então possível se utilizar de sintaxes, termos, e recursos gramaticais, enfim, tudo o que proporciona a transmissão de uma idéia com maior facilidade de compreensão. Portanto, se se utiliza de um meio próprio para favorecer o entendimento estrito de um contexto, então tudo o que pode vir a ter significado fora deste contexto faz parte de uma outra interpretação.

Parece óbvio mencionar uma regra assim, porém, não são poucas as ocasiões em que uma assertiva ou declaração objetiva seja considerada irônia, e isto ocorre pelo fato de um receptor temer acreditar no que está expresso da maneira mais simples. Quando um tema é propício ao uso de irônia, a mesma geralmente faz parte de uma crítica ou simples sátira, também por isso elas se tornam previsíveis.

Tendo em vista estes aspectos, penso ser aceitável declarar que sinceridade não é algo que se demonstra apenas com palavras, pois elas podem ter significado conotativo, o que na maioria das vezes é percebido acidentalmente e de incalculáveis maneiras interpretado por diferentes indivíduos. Mas se então a palavra não denota ambiguidade suficiente para que aquele que a pronuncia, de onde vem a disposição de modificar o significado que é proposto com tanta simplicidade?

Ambivalência é um termo mais razoável a ser utilizado em tal ocasião, e o mesmo seria aplicado ao ser, não à palavra em si, afinal, as palavras não possuem mais significados do que os que são designados a elas; quem os atribui? Certamente nós mesmos, da mesma maneira que encontramos semelhanças ou distinções entre as mesmas. Pois bem, então nos utilizamos delas da maneira como bem desejarmos e as interpretamos da maneira que queremos entender? Naturalmente, e justamente por isso existe divergência de idéias, mesmo quando evitamos ao máximo a possibilidade de tal fato ocorrer.

Uma Carta Que Voltou

Ainda assim não pejo, e confesso:
és meu tímido arrebate, meu doce assalto,
um tanto dolorido, mas ainda é sorriso.

Saí. A porta ficou aberta.
Escureceu. E fechei os olhos.
Caí. A mente é torta e aperta,
Amorteceu. E achei os sonhos.

E eu quase sei...
Que aos mortos se sepultam!
Mas antes se velam
Desculpe-me, portanto,
se reviro cinzas e ossadas
Mas o faço, pois ainda velo

domingo, 22 de agosto de 2010

Câncer

É a doença, a criança, a matança
Mas é a cria que não espera
Pois dói
E não supera
É a sequela
É a vela
Gotejando
Das mãos, as palmas
Cortejando
Da morte, a alma

É o beijo!
É da blusa, o feixo
É da lua a aura
Lá tão alta
Que se esmera
Que se esbalda
Mas não espera,
Não acalma

Já foi lama
Já foi vento,
Agora é trama
E eu que tremo
Eu que temo...
É esse tumor
É o amor.

A Manchinha.

Ah! Aquela manchinha...
Bem ao sul... Como dizem "onde não bate o sol"
Longe do norte, encantadora como a morte
Um pouco ao leste, mortal como a peste.
Na Linha do Equador,
Mas com curvas do México
Malditas medidas métricas, miliétricas
Na constelação de virgem
Aos beijos do leão conquistador
Ah! aquela manchinha
Ao puro sabor do imenso calor
De qual fui segundo desbravador
Depois apenas de sua pobre mãezinha...



Declaro que não estou são.


Há mais de um ano era pra eu parar de ouvir Genitallica, mas essa Oficina de Graffiti reanimou o rítmo

jueves, 19 de agosto de 2010

Finalmente!

Você já não é um demônio


No entanto ainda é hormônio...

martes, 10 de agosto de 2010

Naquele Entardecer



Foi quando pensei
No quanto desejei
Voltar no tempo,
E moldar o vento,
Para matar o coração
E fazer um furacão...

jueves, 5 de agosto de 2010

Fique fora dos meus sonhos!




Noites acordado. Armas, drogas, violência e diversão adoecida.
Dias sóbrios. Prazos, planos e concretizações.
O corpo sucumbe. Sono, sonhos. Lindos sonhos. "Há quanto tempo não te via?". Sentidos virtuais. Sentimentos reais.
O sol não esquece. Desespero não é sonhar, o desespero é despertar.
Rotina. Envelheço. Câncer. Já se passaram mais de dois anos, e eu ainda não morri.

jueves, 29 de julio de 2010

Continuidade indeterminada

Se há um critério que possa reger nossas vidas, certamente não se trata da bondade, afinal, por muitas ocasiões em que nos ocorre agir com tal constância de benevolência (consequência de uma razão de equidade e a esperança do bem estar próprio produzido por tal ação que sugere consideração recíproca de satisfação), não obtemos o resultado almejado. Portanto, condescendência seria o termo um pouco mais apropriado para explicar o assentimento dessa sucessão de fatos, tempo, sofrimento e inúmeros outros fatores concomitantes.

Mas o que torna necessária uma existência fadada de subordinações muitas vezes ininteligíveis, que na incerteza frequentemente tem por finalidade fracasso, decepção e conformismo? A intensidade da sensação do proveito posterior, quando premeditada, tanto pode tornar insípida a conquista como pode agravar a significação da desilusão, algo que, dito de passagem, nada mais é que uma verdade que cada indivíduo conhece instantâneamente no decorrer de uma situação semelhante ou a toma por intuição.

Assim, é verossímil dizer que nossos maiores desejos e vontades se fundam em convicções, e que se quando concebidas a priori tem uma ínfima possibilidade de suceder em conformidade com o plano, então baseamo-nos em uma verdade corrompida, dúbia, que ulteriormente pode ser classificada como mentira. O problema é que se o objetivo a ser traçado torna-se primordial, dissuadir-se de uma esperança vã é quase impossível, mesmo que durante o decurso de tal engendração o indivíduo se convença de que não alcançará o que pretende.

A partir deste momento a superstição toma a consciência do ser, que em estado de desespero, torna-se suscetível a acreditar em quaisquer influências exteriores, as quais geralmente são pressupostas pelo próprio indivíduo. Sem dúvida, submeter-se à idéia de que nossa existência é uma sucessão contínua de decepções que causamos ao tomar uma decisão errônea, que acarreta a todas nossas condições pusilânimes contemporâneas, é caminhar rumo à resigna, e desta maneira um suicídio torna-se muito justificável. 

Todavia, somos capazes de esquecer totalmente nosso estado quando nos deparamos com a situação de outro ser que sob condições desfavoráveis de subsistência, desprovido de outra vontade que não seja alimentar-se ou ter um agasalho para não morrer de frio ao dormir pelas ruas; ou mesmo quando nossa visão nos incita a observar a dificuldade com que lida alguém privado de movimentos, orgãos, etc.; nesses instantes sentimos que aspiramos todas as dores do mundo, tudo é tão decadente e injusto, e por conseguinte comparamos as situações, estabelecemos lugares exatos de cada qual de acordo com o perfil que se pode presumir.

Naturalmente a conclusão é de que somos infinitamente mais beneficiados que o infeliz ao qual determinamos uma relação; mas basta apenas que o ensejo seja superado e esquecido para que a abstração individual torne a acontecer e trazer de volta a aflição das impossibilidades, embora sempre com um aspecto novo seguido de promessas com aparências tentadoras que sugerem ousadia.  



miércoles, 28 de julio de 2010

elbode.blogspot!!!

Os meus desenhos agora têm um espaço!
El Bode é meu novíssimo blog.
Lá postarei minhas ilustrações, tiras, projetos, personagens, pinturas, quadrinhos, enfim... o meu mundo dos desenhos. Sigam o bodinho lá e comentem!

Abraços!

sábado, 24 de julio de 2010

Esperar É Uma Jaula

Os dias se prolongam e se debatem
As proles definham, as flores desistem
Enquanto segue a vida, o combate,
E os que seguem vivendo hesitam e assistem.

A primeira nuvem que chega
É como a primavera que renasce,
Mas é com a chuva que enche
Olhos tristes, lágrimas e resinas

E vem o vento, vem de longe
Sussurrando a pressa da morte
Equilibrando a calma do monge
No emaranhado de razão e sorte.

Esperar é exatamente assim!
Acorrentar uma besta em frenesi...
Esse coração que pulsa em mim
Que tem a animalesca fome de ti...

jueves, 22 de julio de 2010

Tão pouco tempo...

Ainda que apenas mais um humano, eu, fruto da mais aleatória combinação genética, único sobrevivente dentre milhões de células reprodutoras, dentre outras zilhões pertencidas e desperdiçadas por meu progenitor. Sou fruto de uma aberração estatística dentre infinitas possibilidades em que eu não seria eu. Mas eu sou eu. Eu, que fui esculpido por cada equação e sopro do mundo, cada emoção me fez um pedaço, cada experiência uma característica.
E cada olhar foi moldando meus próprios olhos, para que eu pudesse ver um mundo estatísticamente mais bizarro que seu prórpio paradoxo existêncial, tão bizarro quanto seus próprios moldes que foram feitos. Muito embora os meus olhos e moldes me permitam admiração. Como por outros filhos do acaso, chegando a inventar o amor. Sim filhos do acaso, e inventores do amor.
E nessa bela noite em que eu percebo a sorte que tenho, por estar vivendo, que logo morrerei e a vida que tenho agora acabara. E essa é única. Uma noite tão bela, em que percebo que o tempo está passando, estou morrendo, e o tempo não voltará. É nessa noite tão única que eu ficarei sentado na frente de um computador, sozinho, esperando chegar a hora em que eu esteja tão entediado a ponto de dormir.
Bela é a vida...

miércoles, 7 de julio de 2010

A saudade é uma errada donzela:
Vai ao baile sem ser convidada.
No entanto, por ser tão bela,
Por ninguém pode ser retirada...

lunes, 14 de junio de 2010

Ilustríssimos!

Estou participando de um novo portal... É um grupo de ilustradores que promete um grande futuro para o reconhecimento artístico da região e do país... e do mundo... cosmos...

O grupo, sugestivamente, se chama Ilustríssimos. São ilustradores de Foz do Iguaçu que estão trabalhando nesse site, onde serão publicadas diáriamente ilustrações, tiras, quadros, matérias, tudo relacionado a arte gráfica. O portal não é nossa definição, pois a proposta se estende aos nossos eventos, encontros, e infindáveis tipos de promoções relacionados à arte gráfica, para profissionais, amadores, clientes e admiradores.

Nosso grupo conta com 6 profissionais ilustradores, desenhistas, designers e quadrinhistas (entre outras especialidades gráficas):
Buguno;
Filipe Remédios;
Pedro Marcelino;
Elielcio;
Yuri;
Luan (eu).

E no próximo post eu já trarei o link do trabalho e contato desses ilustrissímos senhores aí em cima para vocês irem conhecendo.
E não deixe de visitar nosso site, assinem o feed e esperem só as novidades. www.ilustrissimos.com. Postarei meus trabalhos lá todas as quintas!!!

Abraços!

PLPO - Os Profetas Urbanos

Quando você está em um lugar público como a parada de ônibus várias coisas podem acontecer. Conversa com alguém sobre o clima, sobre política, pergunta sobre os ocorridos, encontra conhecidos. Quando eu estou em um ponto de ônibus duas coisas podem acontecer: A primeira, e mais normal, é que ninguém fala comigo, como se eu fosse um louco, um drogado marginal e psicopata. A segunda é que loucos, marginais e psicopatas vêem falar comigo.
Há alguns anos no passado, eu despendia uma tarde ensolarada e morna de agosto com minha primeira namorada, era um amor tão ingênuo quanto a praça que observavamos enquanto esperavamos o ônibus que ela precisava embarcar para ir embora e não chegar muito tarde em casa. Eu já disse que era uma tarde, correto? Pois bem, pouco antes do apressado ônibus das 18, que era o dela, passou uma figura desconcertante diante de nós. Nada como um pouco de realidade para nos lembrar do mundo. Era uma velha, cujos cabelos me fizeram acreditar que ela ouvia reagge. Levava um cabo de vassoura como uma bruxa caminha com seu cajado por entre túmulos. Mas suas roupas desmentiram, e mostraram que ela era uma andarilha ou coisa do tipo. Ela passou e voltou, como se lembrasse de algo, dizendo:
- Vocês são namorados? - nos perguntou.
- Sim - a garota ao meu lado respondeu.
- Você gosta dele? - a conversa continuou com ela.
- Sim...
- Mas ele é um vagabundo.

Silêncio...

Sinceramente, você, o que faria? Eu olhei. Olhei mais. Foram uns 5 segundos de silêncio quando eu resolvi acabar com isso de uma vez por todas. Falar sobre meus princípios morais, e sobre o que eu pensava sobre a questão antropológica e ultrapassada da traição, talvez até citar a indignação com a descriminalização do adultério no código penal. Mas eu disse:
- Quê?!
- Sim!!! Você tem essa cara de bobo, mas você não me engana!
- Além de tudo, obrigado pelo "cara de bobo".
- Por nada. Você merece! Não estrague a vida da moça!
- Eu... - fiquei raivoso - Tudo bem. Farei isso.

A tarde terminou com um interrogatório desconfiado, típico de namoradas.
Não lembro se a profeta era vesga, mas acredito que sim. Pois, no fim, a profecia se concretizou mesmo quando meses mais tarde eu fui traído pela minha namorada... Algumas vezes.

martes, 8 de junio de 2010

Cus if your dad doesn't have a beard, you got two moms

Meu pai conta que tinha barba até o meu nascimento, depois disso nunca mais. Eu, no entanto, deixo sempre algum tipo de barba desde a oitava série, quando com meus 13 anos descobri um par de costeletas habitando minha face.
E então meu pai resolveu cultivar novamente uma barba. Bem na época que eu cortei a minha por problemas emocionais, essa tal tendência pink floydiana de extravasar as frustrações depilando seu corpo. Portanto meu pai esteve com a barba bem maior que a minha, por um bom tempo. Isso me fez sentir filho, como antigamente.
Ele parecia uma mescla de mago ancião, com executivo fumador de charutos, e um motoqueiro de custom, no seu estilo mais easy rider de viver. Até dei um CD do Creedence Clearwater Revival pra ele.
Mas minha mãe não estava gostando muito da história, por isso ele cortou. Eu fiquei frustrado. Até hoje a sensação de ter duas mães me persegue em alguns momentos.

Aí fiquei mais aliviado e parei de implicar com meu pai quando eu conheci esse colega, cuja mãe tem bigode.

domingo, 6 de junio de 2010

Crônicas de Ponto de ônibus

Eu passava horas lendo nos bancos da praia de Guaratuba. Nesse dia eu lia Macbeth e fumava um kretek, deixando o vento queimar todo o cigarro para sentir o cheiro de cravo sem nem ao menos levá-lo a boca, um ritual de leitura. Acontece que eu não percebi a reação química mortal que estava formulando: Cigarros, e um livro trágico. Não, não queimei o livro ou qualquer parte de meu corpo.
Acontece que livros trágicos são feitos para ler em locais com boa ventilação, longe de objetos cortantes ou inflamáveis, e longe de piratas e do Raul Seixas. Livros trágicos são programados para atrair situações trágicas.
Outro problema de quando você torna esse hábito público é que não está acostumado a guardar a carteira de cigarros. Carteira de cigarros também têm um certo magnetismo. Atraem fumantes. Fumantes que não tem cigarros.
"Boa tarde, você teria um cigarro para me favorecer?". Impressionado com a educação, e o mal jeito em dizer "não", cedi, no entanto ele se sentou ao meu lado. Não tirei o olho das páginas. "Esse lugar é bonito, não é mesmo?". Respondi com meu mal jeito em dizer "sim", mas dessa vez eu fechei o livro, pois percebi que eu estava diante de um fenômeno P.L.P.O. (Pararraio de Loucos em Pontos de Ônibus, um fenômeno que acontece frequentemente comigo), apesar de não estar em um ponto de ônibus no momento. Segue o diálogo:
- Está vendo aquelas duas pombinhas ali? - disse o desconhecido
- hmm... - "afirmei", entediado.
- Eu as conheço. Elas vieram do Espírito Santo - mais um religioso, pensei -  Desde pequeno eu corria com elas nas praias do Espírito Santo.
- hmmmm... - "continuei", espantado.
- Porque eu tenho um segredo para te contar. Eu notei que você é uma pessoa esclarecida e culta, então você merece saber: eu sou Raul Seixas.
Eu olhei para ele no mesmo momento. Roupas velhas e rasgadas, um par de tênis pendurado no pescoço, uma mochila nas costas. Ele tinha um cabelo grisalho uma barba cheia, um sorriso desdentado, e um hálito característico do velho Raul dos Santos Seixas. Cachaça Carai.
Eu continuei em silêncio. Ele não:
- Tá vendo aquelas duas mulheres ali? - disse o Raul
- ham... sim, sim. - comecei a interagir além dos limites.
- Elas são namoradas.
- Como você sabe?
- Eu as conheço.
- ah tá.
- Uma gosta mais da outra.
- Como você sabe? - não fiz questão de mudar as palavras tão menos a intonação.
- Uma é gorda, a outra é magra. Qual você acha que gosta e qual você acha que não?
- Não faço ideia.
- A magra gosta da outra. Ela se cuida e faz ginástica. A gorda está infeliz e não liga para a outra.
- Sua teoria é boa. Mas isso acontece em todos os relacionamentos.
- Tá vendo aquela mulher ali? Com as crianças? - ele mudou de assunto, acho que queria falar sobre cada um que estava presente ali.
- Sim.
- Ela tentou matar as crianças ontem. Levou as três meninas no mar e deixou elas se afogarem.
- Sério? como você sabe?
- Eu mesmo salvei elas e chamei a polícia.
- Bah! E ela já está livre? Haveria de estar presa ainda.
- Presa deveria estar a mãe delas que pagou para a moça matar as crianças.
Eu estava começando a me interessar pela criatividade poética desse homem, mas então para equilibrar o cosmos chegaram mais dois sujeitos, com sacos de latinhas nas costas (não desmerecendo a profissão), um deles pede um cigarro. Dou. o outro pede também e eu penso "vamos ver onde isso vai parar" olho para o Raul Seixas e ele balança a cabeça em sinal de negação e indignação, como se a cena fosse absurda! "Como esses dois pedintes ousam atrapalhar a conversa de dois cidadãos em sua conversa culta. Tudo bem, é um fruto do sistema capitalista, eles não tem culpa", é o que Raul provavelmente pensava em seu gesto. Dei o cigarro e o primeiro gritou:
- Eu conheeeeeço você!!!!!!! - apontando para mim - Você é pirata né véi?!?!
- o.o'
- Sim eu conheço você!!! Você é pirata, essa barba aí, eu to ligado!
- É verdade!!! - exclamei, ironicamente, por óbvio.
- Eu já vi você nas ruas por aí, você já andou pelas ruas de Curitiba né?
- Ham... sim, algumas vezes.
- Poooooooorra... Eu vi você lá em agosto.
- Impossível. - eu disse no impulso, mas me arrependi.
- Então, você mora em Florianópolis?
- Não.
- Londrina?
- Não.
- Curitiba?
- Não.
- Ali de Paranaguá?
- Nããão.
- Porra, você é de onde mesmo. Já sei você é deeeeeee...
- Foz do Iguaçu. - Mamãe ensinou a não dar pistas sobre onde mora ou quanto ganha para estranhos, mas eu não resisti, a conversa estava cada vez mais interessante.
- AAAAaaaaaaaaahhhh - gritaram os dois.
- Só surfando no paranazão!!! - um deles falou.
- Sim - eu disse e caí em risos.
- E aí, só levando umas toneladas de maconha então. - Eu não fiquei surpreso com a reputação da minha cidade, nem perdi o bom humor:
- Não cara, não faço essas paradas, só muamba mesmo! - obviamente era mentira!
- Aaaah tô ligado! E o que você tá lendo aí?
- Shakespeare.
- Ooorra o cara é culto então! E o que você está entendendo do livro?
- Bem... Por enquanto tudo.
- Mas o que é tudo na sua concepção? - pronto. Filosofia.
- Isso é muito relativo, eu demoraria horas pra te explicar meu conceito. Mas o livro fala sobre a ganância de um homem e as consequências que ele acaba sofrendo por agir movido por esse sentimento.
- Tô ligado. Mas vamos indo nessa, brother! Valeu pelo cigarro e pelo papo, a gente se esbarra.
- Falou, cara, boa sorte aí!
- Valeu pirata!
Olhei para o Raul Seixas que continuou sua conversa de onde tinha parado, como se estivesse congelado enquanto os outros dois estavam lá. Falou sobre como foi crescer aos pés do Tom Bonjim (sim, ele disse isso) e outras personalidades. Pura poesia. Antes de ir embora ele disse:
- Arranja um óculos escuro pra mim, que eu vou passar daqui a meia hora.
- Haaaaam.... óculos?
- É, óculos de sol, pode ser daqueles normais mesmo.- Sinceramente eu não sei se isso era um tipo de gíria ou código, mas eu não entendi muito de toda a conversa dele, então não fez diferença.
- Eeeerm... ok, vou tentar.
- Não. Você vai arranjar. Daqui meia hora eu volto pra buscar. Agora vou ali na casa da mulher que ela disse que comprou um tênis pra mim. - e apontou pra casa mais luxuosa da praia.
- Ah, tá, pode deixar.

Assim que ele foi embora eu percebi a atmosfera na qual me encontrava, olhei para os lados e vi que um grande número de pessoas das barraquinhas olhavam para mim, eles também ouviram a conversa e riram. Eu ri igualmente e fui embora antes que se passasse meia hora mesmo, vai saber se Raul Seixas voltaria reclamando os óculos escuros que eram seus por direito.


P.S.: Até hoje não coloquei o "Raul Seixas Guaratubano" na lista junto com deus, papai noel e ganhar na mega-sena, pois eu não sei se acredito nele ou não.

miércoles, 2 de junio de 2010

Dois Caminhos Para Lugar Algum

É um longo caminho a percorrer nessa vida. Abster-me do passado. Cada dia um novo passo para o fim.
Mas o que faço? Se o que quero mesmo é dar o primeiro passo para trás... A nostalgia toma conta de mim.

jueves, 20 de mayo de 2010

Reflexões de Banheiro 2

da série Reflexões de Banheiro:

Da a música e o relacionamento
Eu adoro música. Eu adoro as sensações que as músicas me trazem, as lembranças, o cheiro, o clima. E voltando do trabalho hoje, eu ouvia Blind Guardian, é minha banda preferida, desde que eu comecei a apreciar música, estava frio, nublado, e ventando. Estava perfeito. Eu sorri.
Faixas depois ouvi outra música, outra banda, que me lembra uma pessoa. O riso se foi. A música, o clima, o vento, tudo era lindo, inclusive as lembranças. Mas são marcas doloridas.

Eu nunca vou namorar uma garota que goste de Blind Guardian.

miércoles, 19 de mayo de 2010

Mero Observador

Repousava desfalecido em berço de sombras e frio
Quando de olhos em canto vi um límpido relance
E um terno vício corrompeu a mente por um fio
Mas era tamanho encanto longe do meu alcance

Então nas trevas permaneci, observando
Aquele misterioso olhar esmeralda...
E temo que, espreitando, me torne nefando
Pela beleza escondida em uma grinalda.




Algumas vezes o artista se depara com o apego ao belo, e então sua intimidade com a natureza aumenta, pois além de observador, sua inspiração o torna criador. No entanto certas vezes essa observação exige um aprofundamento maior, e isso não é possível, ocorre uma certa utopia. E se o belo é ainda complementado por afinidades e substâncias bem mais profundas que a mera beleza, o risco de paixão socrática, entre contemplador e belo, é maior. Mas ainda é seguro para um mero observador.

lunes, 17 de mayo de 2010

Reflexões de Banheiro

Reflexões de Banheiro surge como a nova forma de manter isso aqui atualizado. Serão reflexões leves, críticas e pensamentos, nem sempre originais, muito menos profundas, que tenho no meu dia-a-dia, não necessariamente no banheiro. LOL

A reflexão que eu tive hoje foi sobre pessoas queridas indo embora (está acontecendo um fenômeno ainda não estudado: êxodo em massa de entes queridos, estão migrando pra estados cujos nomes começam com R, de acordo com as estatísticas informais).
"Essa cidade está morrendo. As células estão sendo expulsas como um câncer, como o sangue escapando de uma ferida. Como animais fugindo da jaula, que mesmo sem racionalidade, clamam por seus instintos de liberdade e sobrevivência, no âmago de sua fome e no afiar dos dentes e garras indefesas contra a maldade humana! E assim nós sentimos o desejo infindável de buscar algo que também foi embora, algo que sangrou de uma ferida aberta em nossos corações..."

viernes, 14 de mayo de 2010

Sketchcrawl

Sketchcrawl amanhã!
No Salão do Livro, em frente a fundação cultural acontecerá a próxima edição do Sketchcrawl em Foz!!!!

É tudo, alguma dúvida o campo de comentrário está aberto.
Estou economizando imaginação para desenhar, então por hoje é só.

miércoles, 12 de mayo de 2010

O comportamento é um espelho em que cada um vê a sua própria imagem.

Não dá, não dá. Às vezes sou um poço de paciência, reconheço meus defeitos e tolero tudo tentando ser compreensivo sobre a vida e a realidade. Mas não é possível que a maioria do mundo seja tão atrasada, e que não encare a possibilidade de evoluir. "Mudar pra quê?". Não dá. A informação hoje é gratuita, é acessível, e quase banal, mesmo assim existem coisas mais banais pra se dar valor.
E nesses dias, em que o anjinho vai ao banheiro, em que a paciência sai de férias. Nesses dias a ignorância se trata com sarcasmo.



Ao menos estou assumindo minha ignorância.

martes, 11 de mayo de 2010

O Olhar Labiríntico

Um majestoso saber ilógico
Tomou-me ainda adormecido,
E embebedou meus propósitos,
Purificando o apodrecido
Das realidades mais sólidas.

Mesmo por atalhos misteriosos,
Eu soube aonde me levaria:
Aos palácios mais gloriosos,
Em que certa força reinaria.

E mais que sábio, era mágico
Esse teu encanto estático.
Amornando meu coração
Com tamanha exatidão,
Sendo apenas mais prático
Aos ventos do verão.

E agora me deparo perdido
Nestes vastos, lindos labirintos.
Indagando-me onde tem escondido
A doçura dos lábios tintos...

viernes, 30 de abril de 2010

Os outros são realmente terríveis. A única sociedade possível é a de nós mesmos.

Em uma dessas tardes eu caminhei da minha casa, pensando em me afastar um pouco do tédio. Fui ao bosque onde costumo desenhar, e assim permaneci por algum tempo, perdido em pensamentos. Quando então olhando para qualquer outra paisagem eu avistei algo, que no início com todo meu sarcasmo, pareceu-me bizarro. Mas a desgraça caiu sobre mim, como sempre acontece quando aprofundo os pensamentos:
Eu olhava para uma lixeira, era uma lixeira pública, que parecia uma casinha de cachorro. uma caixa de concreto ao chão, de um metro e meio por dois metros, com uma tampa também de concreto e uma abertura em uma das laterais para depositar o lixo recolhido do bosque. Eis que chega uma figura quase despida, e toda suja, mendicante e ébrio, e então se aconchega nessa "casinha". Ri-me da desgraça humana, que muitos achariam extremamente normal e me julgariam desconhecedor da realidade ou até mimado por barreiras sociais. Mas eu nasci nessa cidade, admito que moro e sempre morei no subúrbio, à beira de uma periferia, e meus amigos de infância agora estão presos, mortos ou traficando, nem por isso permito-me achar isso normal, comum é sim, normal não. Mas também nada me enoja nessa situação pois é produto natural da sociedade, mas isso é uma outra longa discussão, que por agora seja ignorada, como sempre foi, pois interessa-me relatar o que se passou por seguinte, não bastasse o suprarrelatado:
Após  um minuto ou dois do repouso da figura em seu abrigo, veio um comerciante dos arredores, com seus 70 anos, se não mais, e com sua nobre moral foi até o local, e na mesma mão que todas as noites leva a bíblia para a igreja, trouxe para ajudar a afastar todo esse mal da sociedade, uma vassoura! Ele a golpeou algumas vezes, enquanto eu me levantava, chegou outro homem e impediu que a cena continuasse.
Seria belo e muito melhor se este homem seguisse seu caminho e voltasse a omissão deixando-a ali. No entanto, ele trouxe dinheiro a ela... E ela lhe deu algum pacote "misterioso" que tirou das roupas íntimas.
Concluo aqui declarando publicamente que minha impotência perante a involução humana é produto de uma larga preguiça e egoísmo, não assumidos, pois se assim o fossem, estaria vivendo como eremita em qualquer pedaço de terra isolada que ainda resta.

domingo, 18 de abril de 2010

Adeus

"Deixe que vá... Nas carroças nas naus e nas embarcações...
Deixe que vão levar
Se fincaste tua cruz em outras terras, em areias bem distantes
Tu fincaste em meu peito longa espera, a beira mar neste porto."



Muitas coisas vão para outras virem.
em memória de tudo que se foi, e tudo que veio,
Que todos tenham força.

viernes, 9 de abril de 2010

A Parte das Coisas

É preciso uma considerável dose de inconsciência para entregar-se sem reservas a qualquer coisa. Os crentes, os apaixonados, os discípulos, só percebem uma face de suas deidades, de seus ídolos, de seus mestres. O entusiasta permanece inelutavelmente ingênuo. Há sentimento puro onde a mescla de graça e imbecilidade não se traia, e admiração devota sem eclipse da inteligência? Quem entrevê simultaneamente todos os aspectos de alguém ou de algo permanece para sempre indeciso entre o arrebatamento e o estupor. Disse que qualquer crença: que fausto do coração — e quanta ignomínia por baixo! É o infinito sonhado em um esgoto e que conserva, indeléveis, sua marca e seu fedor. Há um notário em cada santo, um quitandeiro em todo herói, um porteiro no mártir. No fundo dos suspiros esconde-se uma careta; aos sacrifícios e às orações misturam-se os vapores do bordel terrestre. Consideremos o amor: há expansão mais nobre, arrebatamento menos suspeito? Seus estremecimentos competem com a música, rivalizam com as lágrimas da solidão e do êxtase: é o sublime, mas um sublime inseparável das vias urinárias: transportes vizinhos à excreção, céu das glândulas, santidade súbita dos orifícios... Basta um momento de atenção para que essa embriaguez, abalada, nos lance nas imundícies da fisiologia, ou um instante de fadiga para constatar que tanto ardor só produz uma variedade de ranho. O estado de vigília altera o sabor de nossos arroubos e transforma quem os sofre em um visionário pisoteando pretextos inefáveis. Não se pode amar e conhecer ao mesmo tempo, sem que o amor padeça e expire sob o olhar do espírito. Investigue suas admirações, perscrute os beneficiários de seu culto e os que se aproveitam de seus abandonos: sob seus pensamentos mais desinteressados descobrirá o amor-próprio, o aguilhão da glória, a sede de domínio e de poder. Todos os pensadores são fracassados da ação que se vingam de seu fracasso por meio de conceitos. Nascidos aquém dos atos, os exaltam ou os menosprezam, conforme aspirem ao reconhecimento dos homens ou à outra forma de glória: seu ódio; elevam indevidamente suas próprias deficiências, suas próprias misérias à categoria de leis, sua futilidade ao nível de princípios.
O pensamento é uma mentira, como o amor e a fé. Pois as verdades são fraudes e as paixões, odores; e, no final das contas, a escolha está entre o que mente e o que fede.

(E. M. Cioran)

jueves, 8 de abril de 2010

Jedes Herz Ist Eine Revolutionäre Zelle

"- As drogas que o corpo produz não são más. São ótimas aliás.
- Fala da adrenalina?
- Por exemplo. Há milhares delas. Endorfinas...
- Hormônios da felicidade quando amamos.
- Isso é droga pesada. É preciso tomar cuidado.
- Não caia na marginalidade.
- O medo é uma droga incrível. Não se deixar controlar pelo medo e usá-lo como motor requer prática. Coloque-se numa situação que deixe você morrendo de medo. Primeiro vem o pânico. Mas depois o sistema de autopreservação do corpo é acionado. A gente faz coisas que nunca ousou. Superamos as nossas limitações, somos capazes de tudo.
- Você sabe ou acha?
- Eu sei. Já experimentei mil vezes.
- E já se ferrou mil vezes."

(Edukators)

lunes, 5 de abril de 2010

O Incontestável

Caminham em horas incertas
A desesperança e o destino entrelaçados
Como a mente que não discerne
Como a sede dos bêbados insaciados

Cegos como qualquer outro verme
Farejam a cólera e a insensatez
Devorando também os meus versos
Procurando meu temor com avidez

Mas essa tal desesperança, observe
É filha de um impuro ato fornicado
Na suja lama e pus de feridas certas
Entre a fraqueza e o pessimismo em pecado

Mas desde logo o destino se desfaz
Da incensurável e prostituta incerteza
E à beira de um beijo na face
Ouve o sussurro da profunda sutileza:

"Abre os olhos e segura firme minha mão
Pois esta leva até mesmo o insustentável
Por estreitas sendas do coração
Até o reino do imponderável"

viernes, 26 de marzo de 2010

A Tocha De Hecate

Acompanhava-me entre sombras trêmulas
Um fantasma que dizia:
“Certo coração descansava neste túmulo
Colhera doces frutos a mais de dúzias
Cantava coloridos sonhos e fábulas
Até conhecer uma dama que conduzia
E hasteava suas danças às flâmulas...
Mas depois o coração não mais sorria.”

Curioso eu me debatia...
Aos portões parei, com medo
Se eu cruzasse, o que aconteceria?
Eu não pretendia morrer tão cedo

Mas a graça acaricia
Intimida com uma espada torta
Esbofeteia com a mão macia
Aquele que não se importa

Andei dois passos traiçoeiros
Pude voar no terceiro
Pois avistei a beleza
De uma oitava grandeza
Duas estrelas brilhando
Num negro céu de outono
E um par de lábios sorrindo
Envoltos em traços patronos

A mão eu estendi
Uma dança aceitou
Quando uma palavra recitou
Uma música eu entendi
Então ao fantasma agradeci

Os olhos de archote eu fitei
E às chamas me lancei

Assim minha dúvida logo sanei
Quando um beijo a pedi...
E como fantasma acompanharei
A doce morte que mereci

sábado, 20 de marzo de 2010

Ego sum vermis, et non homo

EGO SUM

A ignorância,
O preconceito,
A superstição,
A tradição,
A hipocrisia,
O dogma,
O fanatismo,
O vício,
A preguiça,
A futilidade,
O orgulho,
A mentira,
O ciúme,
A intemperança,
O desrespeito,
A discórdia,
A crueldade,
A dominação
E os privilégios.

D-Luan-H


Eis uma velharia inacabada, uma escultura de carne e osso, um espelho para todos, e um autorretato para mim. O que é humano!

"Ego autem sum vermis et non homo obprobrium hominum et abiectio plebis
Omnes videntes me deriserunt me locuti sunt labiis moverunt caput"

jueves, 18 de marzo de 2010

Expedição para Morder




1 – Saímos do Mendigo’s Bar (Urbanus), lá pegamos suprimentos (nada de pão de hobbit, apenas uma garrafa de cocoblank e seven hills) – devemos levar suprimentos como: roupas que não vamos mais usar, incenso, pão com incenso, alcool pra NÃO acender fogueira e nada de canivetes ou facões;
2 – Passamos pelos portões da Vila Format C: Vila C;
3 – Atravessamos as minas do Porto Meira;
4 – Falamos com os Black Dwarves do Jardim Jupira
5 – Colha cogumelos mágicos no Jardim América
6 – Embarque no último ônibus para o Morumbi (assim não tem como voltar) e comece a andar em busca da encruzilhada do Blues (cuidado com os corpos no mato)
7 – A partir daqui siga o Mago Jackson (perdão, mas é a única forma). Ele vai falar algumas vezes “agora eu me lembro!!!! É aqui!!!!” e você vai dizer “agora eu me lembro!!! Já passamos por aqui umas 5 vezes!!”
8 – Passe a Encruzilhada do Capeta e se esconda de todos os carros;
9 – Passe por outra Encruzilhada do Demônio e ande!!! Nem pense em parar! Volta, anda, corre, rebola e chegue no portal dimensional
10 – Portal Dimensional que te leva para uma vila dos anos 20, com direito a casinhas com cerca, casa na árvore, boteco-galpão, uma única escola, uma única igreja, e atrás um cemitério abandonado e a casa da bruxa de Blair (não deixe de entrar no cemitério abandonado); ande mais um bocado e você encontrará a entrada do portal dimensional, sim, você fez uma volta do carai.
Nota: nunca amanhece nessas terras
X – depois de muito andar você passa por duendes que te derrubam, sinais alienígenas no trigo, e camburões da Rotam que não ousam te bater nem revistar pois você está vivo num lugar como aquele.

Como é Morder? Nós não lembramos.

viernes, 26 de febrero de 2010

Harlequinada


A função do Harlequin é roubar o amor do Pierrot...









...Depois tudo recomeça.

martes, 9 de febrero de 2010

Digno de imolação.

Admitir que a divindade à qual os cristãos estão subordinados é boa, benévola, humilde, compassiva, nem sempre foi tão simples se inferida através das intercessões em fatalidades às quais sua mais próxima criação - aquela que procura demonstrar a superioridade racional subjugando os indivíduos de sua coletividade, estabelecendo padrões de conduta de fácil assimilação também aos menos favorecidos intelectualmente, e por inúmeras vezes proporcionando desditas a si mesmos; pois criaram uma espécie de vaidade que impele à frivolidade. Portanto, sua finalidade é a ostentação mediante o conformismo de sua autodestruição refratada pelos intentos fantoches - tais como a punição conferida aos judeus, que após tantos anos sofrendo as condições de um suposto deserto foram capazes de erigir um tabernáculo com colunas de bronze e capitéis de prata maciça ou mesmo um bezerro de ouro (que não é outra coisa senão o Deus Ápis) produzido por Aarão irmão de Moisés em tão somente um dia!; o monumento seria adorado aos pés das mesmas montanhas em que Deus falava a Moisés.

Pois bem, se considerarmos que Deus não reprovou a atitude deste seu discípulo mais próximo, que ao vê-los adorar aquela outra divindade ordenou que decaptassem vinte e três mil homens, tampouco o massacre de vinte e quatro mil israelitas, igualmente pela ordem mosaica para expiar o pecado cometido por um só que foi surpreendido com uma madianita. Talvez também fosse vontade divina a represália de Eliseu ao fazer aparecer ursos para devorar quarenta e dois meninos que o chamaram de careca ; logo, se estas atitudes e humores destes homens são tão arbitrárias quanto as de seu Deus, não é possível declarar com justeza que havia justiça para com os pecados, mais verossímil seria a proposição de que fossem oferendas ao Demônio, do qual a participação nem é citada. Entretanto, se nos cabe a ideia de que esta soberana entidade Deus, seja onipotente, onipresente e onisciente, por consequência é irrevogável a asserção de um destino por ele premeditado, algo que seria oposto ao pretenso livre-arbítrio e nos eximiria dos conceitos de pecado, culpa, dever, atribuindo-os juntamente de seu estado de miséria ao próprio criador.

Assim, torna-se aceitável a proposta de que Lúcifer, Adão, Cain, Judas e inúmeros outros perpetradores estavam plenamente isentos de qualquer culpa, embora cada um deles tenha sido julgado por Deus da mesma maneira que uma que criança apanha insetos com a maior inocência, corta suas patas, arranca-lhe a cabeça, talvez ainda o despedace em minúsculas partes, então ateia-lhe fogo e rompe em gargalhadas. Porém, se Deus teve afinal compaixão ou magnanimidade para com alguém, este alguém trata-se de ninguém mais que o Diabo, pois muito sangue jorrou, as mortes foram incontáveis e frequentemente as remessas ceifadas eram grandes ou requeriam um grande espetáculo.

Sem dúvida o maior deles foi o suplício do indivíduo que pronunciou-se como a divindade encarnada, o que por intervenção do Espírito Santo recrutou pregadores céticos consciencioso quanto a suas índoles e a consequência disso. Sucumbiu às torturas e foi crucificado, ao que parece sofreu como qualquer outro homem e foi exposto como miserável, escravo; ou ainda com valor similar ao dos ladrões que o cercavam punidos igualmente. Sangrou, lamentou e desesperou-se no instante derradeiro de sua morte questionando o abandono da graça de seu pai.

A hipótese de uma divindade subordinada a Cristo por não possuir a mesma substância do pai (difundida pelo padre Ário em Alexandria, considerada a maior heresia dos inícios do cristianismo), não compensaria a evidência de que novamente a vontade divina havia extinguido qualquer compaixão que o próprio messias pregava; comprazendo ao Demônio que provavelmente aplaudiu regozijando-se com tal tragédia: Deus sacrficando-se, pecando para nos livrar dos pecados, tornando as leis mosaicas uma grande piada.

Cada vez mais semelhantes a nossas sentenças e deliberações tornam-se as deste Deus e reciprocamente. Se pelo espírito a ele somos unidos, embora comportemo-nos cada qual de uma forma e frequentemente desprovidos de qualquer moralidade, em tantas ocasiões tão malévolos, negativos quanto a caracterização que qualquer pessoa pode deduzir de alguma imagem oposta à da divindade soberana, então seria preferível crer na capacidade de cada indivíduo que estando ou não suscitado a fazer o que faz pela divindade pode produzir tantas generosidades quanto dissabores que a nós são muito reais e palpáveis.

"Mas este é tão generoso, humilde, sincero e sempre tem como retribuição o desprezo, a miséria; enquanto aquele outro obtém o que deseja com trapaças, velhacarias e de alguma maneira parece ser feliz e em conformidade com seu Deus." Atribuir ao ser supremo de sua crença apenas suas virtudes pode ser tão mais proveitoso que não é inaudita a proposição de inúmeros deuses com esse propósito. Por meio deste politeísmo acreditemos pois em nossas próprias virtudes abstraindo-as daqueles ídolos, tornando-nos pois semideuses (semi pelo fato da integridade ser atribuída através de qualquer capacidade metafísica que em nós só poderia ser interpretada como fantasia).