miércoles, 22 de julio de 2009

Mente Errada


Entre passos ousados,
Um vulto calado
Ainda assim, muito notado
Nos olhares do mundo vulgar

Entre a penumbra ela passa
Quase se perde. Quase se encontra.
Quase fica. E segue.
Imperceptivelmente nervosa

Pisa no tapete dourado:
As luzes de uma praça
Que some aos meus olhos
Enquanto ela surge.

Ela mostra o que sempre escondeu:
O corpo certo de mulher
A qual pertence aquela mente.

domingo, 5 de julio de 2009

Tempo, éter, tudo, nihil..

"[..] - Qual é, de todas as coisas do mundo, a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais lamentada, sem que nada se possa fazer, que devora tudo o que é pequeno e que vivifica tudo o que é grande? [..] Zadig disse que era o tempo.
- Nada é mais longo - acrescentou - porquanto é a medida da eternidade; nada é mais curto, porquanto falta a todos os nossos projetos; nada é mais lento para quem espera, nada mais rápido para quem desfruta a vida; estende-se em grandeza até o infinito; divide-se até o infinito em pequenez; todos os homens o negligenciam, todos lamentam a sua perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno da posteridade e imortaliza as grandes coisas. [..]"

Voltaire - Zadig ou O Destino


De acordo com a idéia cronológica dos gregos, em que o tempo é circular, qual seja ele um processo repetitivo analogamente fundamentado nas transformações decorrentes da natureza: na primavera as árvores florescem, no verão dão frutos, no outono perdem as folhas, e no inverno parecem mortas. Então o ciclo é retomado pelo advento da primavera, através deste raciocínio a decrepitude e o fenecer não são interpretados como tragédias, mas como renovações.

Contudo, o tempo ao qual somos inexoravelmente imputados, ainda que um tanto quiméricamente, atemoriza a muitos por conduzir à degenerescência e expiração; o que fomentou a insana busca pela preservação da juventude de antanho, e por conseguinte desvalorização do que é senil, inclusive pessoas. Esse pensamento não foi cabalmente disperso, todavia, raramente executa-se o procedimento ao qual os intransigentes do estado de senectude de outrora eram mais propensos; deparam-se pois com o desfecho por meio daquilo que negaram um dia vir a ser.

Imaginar uma posteridade gloriosa e arraigada em sucessos e satisfações, frequentemente torna-se algo depreciável se suscitados formos a uma condição obsoleta, o manifestar de desgostos fisiológicos, a desvalorização estética, etc.; dentre inúmeros outros desprazeres acarretados pela vaidade momentânea.

Afortunados são os que ponderam seus juízos e se utilizam da boa consciência para contrastar aspectos negativos, tais como a simples visão deturpada que muitos concebem sobre o clima chuvoso à noite. Pela símile do momento e apologia aos gregos, segue a contemplação.

Quando da infinidade da abóbada celestial a convalescença da intempérie irrompe em fulgores ao horizonte, trespassando as frondes da aléia, o soberano itinerário Apolíneo assume passo derradeiro, abrandando a atmosfera sombria à qual sobre o lençol de Morfeu a altaneira e silente Lua com sua serena à superfície terrestre desposará.

miércoles, 1 de julio de 2009

Equívocos

Se ao deparar-se com o termo "indiferença" pela primeira vez, um jovem predisposto de preceitos escrupulosos e uma educação levemente atenuada, incorre à inferência de um significado por autossugestão caracterizada pela desconstrução do enxerto estabelecido mediante ao prefixo que incita a interpretação de uma negação, uma conclusão errônea. Embora a origem latina determine: in- 'privação, negação'; não é esse o entendimento que nos fora transmitido, qual nos demonstram os léxicos.

Respectivamente observando os dicionários Houaiss, Luft e Aurélio, encontram-se os diferentes desígnios: falta de interesse ou sensibilidade, despreocupação, desprendimento; frieza, apatia; que não apresenta benevolência ou malevolência. Entretanto, tais denotações são um tanto mais aparentes quando concernentes a objetos ou quando um indivíduo torna-se objeto, com base em sua utilidade ou valor, independente de qual seja este.

A despeito destas considerações, muitos indivíduos se utilizam da indiferença como uma maneira de demonstrar um desdém específico, que é irrefutavelmente notável ao alvo desta atitude com intúito de inferiorizar. Sem darem-se por conta de que a simplicidade e a afabilidade ainda que desinteressadas podem ser tanto mais proveitosas que uma indelicadeza estática, os procedentes de tal conduta fazem questão de manter imutável o conceito desta, manifestando concomitantemente a volúpia e elegância sentida ao expressar-se através do silêncio e impolidêz, tanto a seu suposto alvo quanto a coniventes.

Abstraindo-se esta atitude como componente de outro processo ao qual muitos deleitam-se ao considerar insuportável, ou seja, a falsidade à qual utilizam-se incautos e despercebidos porém, nota-se quão necessária é a contradição para a subsistência de suas crenças, sociabilidade, desenvolvimento, etc. Analisando alguns princípios como estes se obtêm respostas de instância muito ordinárias como: "por que as pessoas são tão incrédulas entre si?", "por que há tantos conflitos entre eles?", "por que a atmosfera deste local tem de ser tão negativa?".