jueves, 9 de abril de 2009

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela."


"Havia em uma vila duas casas vizinhas, distintas das demais. elas não tinham cercas ou brigas. Filhos amigos, churrascos no quintal, jantares de feriados. Até que certo dia a família da esquerda resolveu adquirir um coelho como animal de estimação. A da direita, no mesmo dia, um pastor alemão. Instalou-se o medo, mas foi a surpresa que ambos, Little Bunny fofinho e branquinho, com seu lacinho vermelho, e Rey Psicosis com sua capa preta e dentes afiados... tornaram-se amigos desde infância.
Passaram-se anos. Psicosis e Bunny pareciam mais crianças que animais de estimação. Tudo ia tão bem, até que dia tal tiveram uma emergência de família os vizinhos da esquerda, "precisaram viajar sexta, tendo que deixar o coelho sozinho" disseram os donos do cachorro. Ao entardecer domingo, durante o churrasco de família o cão aparece, junto ao coelho, estava esse ultimo, no entanto, todo sujo, imundo... morto na boca do cão, que abanava a cauda com felicidade.
Dada a devida surra em Psicosis, trancando-o no porão, pensaram no que fazer, estragar a felicidade das famílias, estragar os sonhos dos filhos do vizinho, ou tomar alguma atitude? Era no anoitecer que eles chegariam, haviam poucas horas.
Decidiram então lavar o coelho, com xampu, secá-lo com secador e escova. Perfumado e com um novo laço vermelho, foi deixado nos fundos da casa do vizinho, que logo chegaram...
Para não levantar suspeitas foram até lá receber-los!
- Olá vizinho!
- Ora! Como vão vizinhos?!
- Bem, e como foi a viagem?
- Complicações, muito cansativo, tudo o que quero agora é descansar.
- Entendo, pois fique à vontade e tenha um bom descanso - disse ele sentindo a culpa no coração.

Minutos depois ouvem-se os gritos das crianças. Fazendo-se preocupados os donos de psicosis que chorava no porão lambendo suas patas feridas da surra, saem ao quintal. De pronto saem os donos do falecido bunny totalmente pálidos e perplexos dizendo:
- Vizinho... algo muito terrível aconteceu em nossa casa!
- Ora, mas o que foi? - Diz ele em tom de inocência. e gaguejando o outro responde:
- Li-li-ttle Bunny morre-re...
- Morreu??? - interrompe esse, simulando a triste surpresa.
- Sim morreu... Sexta-feira!
- SEXTA??
- Sim, enterramos ele antes da viagem... E agora lá está, limpo e como antes, em nosso quintal!"

...

Verdade, veracidade, realidade, sinceridade, boa fé, honestidade, autenticidade, axioma, genuinidade, máxima, lei. Tantos nomes, tão esquecida... Pois famosa é a expressão afirmando que as convicções são maiores inimigas da verdade que a própria mentira.

Preconceito, prejuízo, prevenção, superstição, convicção, convencimento. Pra você, a verdade é absoluta ou relativa? Vejamos. A priori temos que tente eu, Stephen Hawking, Nietzsche, ou o papa provar nosso conceito de verdade, tudo que teremos são as mais fundadas ou/e infundadas... teorias. Pode-se ainda dizer que é impossível, por ora, provar qualquer que seja a verdade.
Embarcando-se nesse princípio relativizamos a verdade. E, novamente, com toda a certeza do mundo, preconizamos, pois deram-se ao trabalho, eu ou você, antes de formarmos nosso conceito, ter a decência de não falar pelas costas ou tudo pensar sem antes perguntar à Senhora Verdade, onde ela estaria? Pois ela está. E é absoluta. Está, e não se importa sobre seus conceitos ou de cada um que pensa ou não sobre isso.
A verdade estava enterrada no quintal do vizinho a todo momento, coube a eles somente crer que fora o cão o culpado, esse que faltando o amigo, farejou até encontrar e desenterrar com felicidade.
Ter consigo a ignorância e arrependimento é o preço que se paga pelo preconceito, por julgar sem conhecer.

A imagem acima é intitulada "Time Saving Truth from Falsehood and Envy", ou seja, "O TEMPO SALVANDO A VERDADE DA FALSIDADE E INVEJA".
Deparei-me com a curiosidade dos pensamentos desse autor, que pintou o Tempo alado com asas de anjo empunhando uma foice como da morte; a falsidade derrubada ao chão, despida de sua máscara; a Inveja depositada no escuro, quase escondida, mas ainda agarrando-se às pernas da Verdade; esta que repousa sentada no colo do Tempo, fitando a abóboda celeste, desnuda.
Tão sábio, mas torna-se trágico e um pouco irônico saber que a obra foi terminada na véspera do dia em que François Lemoyne, com sete golpes de punhal, tirou sua própria vida.

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