miércoles, 22 de abril de 2009

Rama Lama Ding Dong

Noite retrasada eu não dormi. Minhas narinas estavam secas, no dia anterior tive de fazer inalação e toda essa frescura. Durante a noite minha gata, Shílo estava caçando algo na sala, onde eu durmo agora, era alguma mariposa, ou borboleta... Liguei a luz, era daquelas grandes e negras...
Deixando as duas em guerra, continuei em meus pensamentos que não me abandonam. logo tudo silenciou. "Pobre mariposa", pensei.
Ao despertar lembrei de algo que um amigo disse: Essas mariposas grandes trazem energias ruins, más notícias. Você precisa soltá-las, pra que a energia ruim vá embora com elas.
Eu respondi: Você acredita mesmo nisso?
Mas depois passei a me indagar sobre o acaso de no meu aposento ocasionalmente aparecer uma dessas, justamente no meu quarto. ¬¬'
Foi então que eu estava terminando minha noite, quase perfeitamente, com tudo feliz e indo bem... Quando alguém fala comigo: Você sabe que a Dhayse vai embora?
Mais uma noite sem dormir, amanhece, e a chuva está caindo... Hoje completa-se um ano do falecimento de minha avó. Há um ano, nessa hora, eu estava abraçado a um travesseiro que ganhara de alguém realmente especial, chorando sobre todas as minhas perdas dos últimos tempos, clamando por um abraço. Fui para o meu antigo quarto, e lá estava a mariposa, ainda viva e sem um pedaço da asa. Por duas noites ela sobreviveu, me deu pena vê-la se debatendo, voando e batendo no vidro da janela.
Mas uma raiva me acometeu, como tem acontecido frequentemente, eu senti uma angústia e vontade de matar quem quer que fosse. E não foi diferente, eu tirei a vida dela, como se a culpa fosse da mariposa, como se eu fosse supersticioso. Como se eu fosse vingar ou resolver qualquer coisa.

Coincidências, coincidências... O universo brincando comigo.



I love her love her love her so
And I'll never never let her go
One thing is certain
She's mine oh mine
All of the time

I've got a girl named
Rama Lama Lamalama Ding Dong
She's everything to me
Rama Lama Lamalama Ding Dong
I'll never set her free
'Cause she's mine all mine


Te amo, mana rama lama ding dong!

viernes, 17 de abril de 2009

Sketchcrawl Brasil II 11/04




Antes de qualquer delonga: Muito obrigado a todos os participantes do Sketchcrawl em foz do iguaçu (e de todo o mundo, claro!). Sua presença foi indispensável para o sucesso de nosso evento. Espero que a satisfação seja mútua.


Sobre os apesares: Quatis devoradores de mochilas alheias, repórteres com problemas de interpretação, sequestros por motoristas de ônibus psicopatas das cataratas, empadinhas que custam R$ 3,50, turistas curiosos, e pássaros vandalizando meus desenhos à la GG Allin. Não tenho nada mais a reclamar, nada mesmo. Foi um prazer estar com todos, espero encontrá-los em breve, seja para desenhar ou papear.



(eu era JESUS ¬¬')

Que venha o próximo Sketchcrawl!

miércoles, 15 de abril de 2009

Da idiossincrasia.

Ao decurso das interposições de intuitos recíprocos entre indivíduos pertencentes a um grupo social e aspirantes do mesmo, determinadas formas de conduta são estipuladas e irrefutavelmente outras abstidas visando um comportamento a ser incorporado de maneira favorável ao meio predisposto. Não obstante, propensões adversas podem contribuir com a degenerescência dentre os respctivos membros e a confraria em si.
Indubitavelmente, a adesão a um meio é específica, porquanto se faça imprescindível a deliberação relativa a aspectos intrínsecos do mesmo, casualmente esta atitude perscrutadora se faz presente e imanente naqueles que são providos de uma certa sagacidade e razão. Por conseguinte, um mimetismo equânime é postulado, índole à qual um caráter é prescrito.
Uma vez que 'nosso indivíduo' esteja, circunscrito em tal ambiente, suas aprendizagens empíricas concomitantemente relacionadas a intervenções extrospectivas ao meio, fomentam introspecções às quais escrúpulos amiudemente preponderam suprimindo muitas vezes virtudes e propósitos íntimos. Análoga situação solicita um procedimento estimativo dos interesses preexistentes ou adquiridos ao longo desse itinerário interpessoal, e secundariamente, por ser um fator usualmente excepcional, é considerada a preservação da dignidade perante aos semelhantes e a demanda de métodos que tornem verossimilhante o desenvolvimento do ser.
Contanto que haja ponderações em suas decisões e julgamentos (ainda que possivelmente se encontre  incrustrado de razões e pathos alheios), se o que se deseja é tornar-se notável, diligente ou preceptor de qualquer virtude que exija reconhecimento, portanto; a menos que possua-se uma característica adstringente que concerne à sociedade, percorre-se uma copiosa jornada cumulativa.

jueves, 9 de abril de 2009

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela."


"Havia em uma vila duas casas vizinhas, distintas das demais. elas não tinham cercas ou brigas. Filhos amigos, churrascos no quintal, jantares de feriados. Até que certo dia a família da esquerda resolveu adquirir um coelho como animal de estimação. A da direita, no mesmo dia, um pastor alemão. Instalou-se o medo, mas foi a surpresa que ambos, Little Bunny fofinho e branquinho, com seu lacinho vermelho, e Rey Psicosis com sua capa preta e dentes afiados... tornaram-se amigos desde infância.
Passaram-se anos. Psicosis e Bunny pareciam mais crianças que animais de estimação. Tudo ia tão bem, até que dia tal tiveram uma emergência de família os vizinhos da esquerda, "precisaram viajar sexta, tendo que deixar o coelho sozinho" disseram os donos do cachorro. Ao entardecer domingo, durante o churrasco de família o cão aparece, junto ao coelho, estava esse ultimo, no entanto, todo sujo, imundo... morto na boca do cão, que abanava a cauda com felicidade.
Dada a devida surra em Psicosis, trancando-o no porão, pensaram no que fazer, estragar a felicidade das famílias, estragar os sonhos dos filhos do vizinho, ou tomar alguma atitude? Era no anoitecer que eles chegariam, haviam poucas horas.
Decidiram então lavar o coelho, com xampu, secá-lo com secador e escova. Perfumado e com um novo laço vermelho, foi deixado nos fundos da casa do vizinho, que logo chegaram...
Para não levantar suspeitas foram até lá receber-los!
- Olá vizinho!
- Ora! Como vão vizinhos?!
- Bem, e como foi a viagem?
- Complicações, muito cansativo, tudo o que quero agora é descansar.
- Entendo, pois fique à vontade e tenha um bom descanso - disse ele sentindo a culpa no coração.

Minutos depois ouvem-se os gritos das crianças. Fazendo-se preocupados os donos de psicosis que chorava no porão lambendo suas patas feridas da surra, saem ao quintal. De pronto saem os donos do falecido bunny totalmente pálidos e perplexos dizendo:
- Vizinho... algo muito terrível aconteceu em nossa casa!
- Ora, mas o que foi? - Diz ele em tom de inocência. e gaguejando o outro responde:
- Li-li-ttle Bunny morre-re...
- Morreu??? - interrompe esse, simulando a triste surpresa.
- Sim morreu... Sexta-feira!
- SEXTA??
- Sim, enterramos ele antes da viagem... E agora lá está, limpo e como antes, em nosso quintal!"

...

Verdade, veracidade, realidade, sinceridade, boa fé, honestidade, autenticidade, axioma, genuinidade, máxima, lei. Tantos nomes, tão esquecida... Pois famosa é a expressão afirmando que as convicções são maiores inimigas da verdade que a própria mentira.

Preconceito, prejuízo, prevenção, superstição, convicção, convencimento. Pra você, a verdade é absoluta ou relativa? Vejamos. A priori temos que tente eu, Stephen Hawking, Nietzsche, ou o papa provar nosso conceito de verdade, tudo que teremos são as mais fundadas ou/e infundadas... teorias. Pode-se ainda dizer que é impossível, por ora, provar qualquer que seja a verdade.
Embarcando-se nesse princípio relativizamos a verdade. E, novamente, com toda a certeza do mundo, preconizamos, pois deram-se ao trabalho, eu ou você, antes de formarmos nosso conceito, ter a decência de não falar pelas costas ou tudo pensar sem antes perguntar à Senhora Verdade, onde ela estaria? Pois ela está. E é absoluta. Está, e não se importa sobre seus conceitos ou de cada um que pensa ou não sobre isso.
A verdade estava enterrada no quintal do vizinho a todo momento, coube a eles somente crer que fora o cão o culpado, esse que faltando o amigo, farejou até encontrar e desenterrar com felicidade.
Ter consigo a ignorância e arrependimento é o preço que se paga pelo preconceito, por julgar sem conhecer.

A imagem acima é intitulada "Time Saving Truth from Falsehood and Envy", ou seja, "O TEMPO SALVANDO A VERDADE DA FALSIDADE E INVEJA".
Deparei-me com a curiosidade dos pensamentos desse autor, que pintou o Tempo alado com asas de anjo empunhando uma foice como da morte; a falsidade derrubada ao chão, despida de sua máscara; a Inveja depositada no escuro, quase escondida, mas ainda agarrando-se às pernas da Verdade; esta que repousa sentada no colo do Tempo, fitando a abóboda celeste, desnuda.
Tão sábio, mas torna-se trágico e um pouco irônico saber que a obra foi terminada na véspera do dia em que François Lemoyne, com sete golpes de punhal, tirou sua própria vida.

miércoles, 1 de abril de 2009

Sketching Around


O artista, vagamente afirmando, tem sua vocação abrangida na solidão. Pois despende várias horas em seu interior, mundo particular, ou pluralizando, mundos e frações, criando e manutenindo vidas, destinos e sentimentos. Quando não, está flagelando a realidade com o externar de sua mente, escrevendo, desenhando pintando.
Mesmo com tamanha particularidade, essa é uma polaridade atrativa entre artistas. Nenhuma afinidade é tão exuberante quanto a do intelecto; o racional sempre prevalece as relações, enquanto o carnal envelhece com sua designação e logo se transforma. Assim a união artística, cada qual com suas peculiaridades, vai além quando resolve engolir a solidão artística, banhando-se em ideias, inspirações, visões, conhecimento, desnorteando-se na imensidão da arte.


Tanto é assim que o enorme prazer de eventos artísticos, em sua pura essência me encantam, o maior do qual venho participando é o SKETCHCRAWL, a maratona mundial de desenhos, na qual artífices e atersãos de toda a esfera saem às ruas, empunhando seus lápis, sua aquarela, e seus papéis, esboçando o mundo o qual percebem e interpretam.
No dia 28 do mês último, com o intuito de divulgar esse encontro, saímos às ruas de Foz do Iguaçu, aquecendo os pulsos para o Sketchcrawl Brasil II (esse que acontecerá simultaneamente pela vigésima segunda vez ao redor do mundo), que ocorrerá no dia 11 de abril nas exuberantes e inspiradoras Cataratas do Iguaçu, deixando o convite, a todo e qualquer artista, artesão, ou indivíduo com vontade de desenhar.
O real evento é sem fins lucrativos ou recompensatórios, sendo gratuito, é no entanto independente, e qualquer condução ou consumação é individual. Não necessita prévia inscrição por obrigação, mas para atualização e contato com o grupo e seus organizadores, basta enviar um e-mail em branco para Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br