lunes, 2 de febrero de 2009

Interlocutor múltiplo?

[...] Após meses de espera por uma simples resposta (tal convicção fora concedida pelos argumentos dos quais a mim você exporá, e certamente também, através de seu rancor, desprezo, sofrimento inerentes aos mesmos fatores e relativos a acontecimentos aos quais revelei-me estagnado e irascível, não obstante, temendo sua tão ofuscada apreciação reversa), mantive-me recluso nas trevas de meu desolado lar, à procura da mesma, por métodos intrincados em que submeti minha até então miserável consciência.

Segundos, minutos, horas, dias, semanas, todas as formas de estipulação do longo período pelo qual acabrunhadora e avidamente acreditei ser necessário para que você concebesse o fim da inanidade que houvera causado o fenecer de meu ser, e por conseguinte a de todos que me cercavam, exceto você; tornaram-se insignificantes meios de auto-flagelação, logo, dei-me por realizar, que não estava liberto de sua ilusão suserana, ou teria eu criado um novo símbolo de veneração inestimável ao qual concentraria com todas minhas energias o sentido do próprio desenvolvimento de meu ser? Destarte, acabara de perceber que tal decorrer de tempo seria uma perca valiosa do mesmo visando que, apesar da contagem torná-lo mais longo e impreciso, mantém-se muito escasso se a trajetória vitalícia à qual o ser humano é obstinado por entreter-se é paradoxal a um tempo psicológico (o mesmo estabelecido através de interstícios após possíveis considerações ilusórias que determinavam as auto-sugestões decadentes, sendo o mesmo creditado por suas condutas emocionais que suscitassem a catarse, não associado de forma alguma às percas reais, que tornaram-se indiferentes a uma visão fixa e moralmente acostumada; nunca dependendo do controle cronológico dessa paranóia cotidiana).

Ao realizar da desconstrução do Deus que me fora imposto pela falta de arbítrio impelida pelos outros, jamais imaginaria que seria capaz de criar um novo e com o mesmo intuito do precedente. Sei bem que imputação lhe fora determinada pela impaciência de minha consciência inepta de dissuadir sua idealização. Talvez você, por algum momento, houvesse adquirido a imagem materna à qual não possuí biologicamente. Recordar seu olhar capcioso e a palidez de seu rosto, sua hegemonia em expressões faciais, a serenidade com que você desferia as palavras, e assim deparar-me com o infortúnio de que todos esses aspectos presentes unicamente em você não eram visíveis, pois você nunca estava lá; despertava em mim uma conduta sanguínea associada a meu caráter hipocondríaco. Assim, a ansiedade tornava-se apenas um estimulante a essa pruridez insaciável. Tais entraves suscitavam-me um percurso ao qual temia que fosse o único real interesse, conservado no mais íntimo de todos os simbolismos; um subjetivismo concupiscente. Não era verdade, mas, as dúvidas que me eram causadas pela tua pureza conduziam-me diretamente a tal frivolidade. Pudera eu ter sentido a morte em ti desde o princípio, porém a teu respeito eu era incipiente. [...]

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