miércoles, 4 de noviembre de 2009

Taciturnidade

Quando de uma paixão de tristeza é acometido alguém por quem possuímos certa admiração ou tão somente transigência ao auscultar seus desfavores; sentimo-nos -- se o indivíduo for indigno de tal fatalidade -- tocados a sugerir ora por indulgência: contraindo desprezo, reparando e demonstrando inclinação; ora por magnanimidade: alguma atitude ou decisão racional para suplantar o prolongamento do efeito e a causa de outro verossimilhante e subsequente.

Não obstante, em inúmeros casos o sofrimento propende em tornar a suceder por negligência para com a admoestação e novamente incorremos ao pathos de um incômodo, se imputados de ouvir as mesmas indesejáveis lamúrias. De outro modo, sofremos ao mensurar a ignorância amalgamada de uma resigna a posteriori.

Logo, damo-nos pelo tino de que aquele estado tanto é ao acometido quantos nos pode ser, incitado pela inépcia daquele; e por conseguinte quando nos é solicitada então alguma opinião em semelhante ocasião, permaneemos calados. Expiamos em silêncio.





Além de serem consederados símbolos de diversas culturas e mitologias, os cisnes possuem o apanágio da monogamia, mesmo após a morte de sua companhia. Mas, há uma espécie que recebe do inglês a denominação "Mute Swan" (Cygnus olor do latim e conhecido por nós como cisne branco), na realidade ele tem uma voz mais atenuada que outras espécies, e não desprovido dela como sugere o nome.

A presunção de um Sócrates apropriou-se também de uma lenda que conta sobre o silêncio que aquele cisne estabelece até seus últimos momentos, quando profere uma bela canção de dor.
"Vocês acham que eu não posso ver adiante como um cisne. Vocês sabem que quando os cisnes sentem a aproximação da morte eles cantam, e eles cantam mais doce e alto nos últimos dias de suas vidas porque eles estão voltando ao Deus a quem eles servem." Assim como Zeus violentou Leda disfarçado de cisne, dando origem a Helena de Tróia, Sócrates o fez com uma superstição tornando-a totalmente sectária. Trágico? Heleno talvez.


martes, 6 de octubre de 2009

Sonhos Não Podem Morrer


Um passo em falso, um cadafalso
O dia desfalece e não termina
E já o olho fecha, e não dorme
O sonho é distante, mas desperto

A retina não resiste aos raios da matina
Levando a crer um fim para o não ser
Mas o fim é aparente, menos ainda presente.

Pois "não está morto aquele que eternamente jaz
e em estranhos aeons, até a morte pode morrer"

D-Luan-H

Phoda-se.

Comecei a escrever essa droga em agosto, vai ficar assim mesmo. E ficou igual a tudo que eu já fiz ¬¬'
Improdutividade mode on.

domingo, 20 de septiembre de 2009

Atmosfera tísica.

Manhã icterícia. A natureza com brandos contrastes a qualquer ser impele suas veleidades a admirar, embora o ar seja infectado porquanto o paroxismo da realidade não anseia por convalescença.

Alucinações com familiares fantasmas
Continuam por me tomar
Passos e vozes creio escutar
Uma televisão desregulada a vazias almas

E qual diferença isso me causa?
Se apenas uma ausência
À superstição abrasa
De um mundo ausente faz evidência

Reflexos de reflexões por fogos-fátuos
Afluíram como águas pantaneiras
A uma clara obscuridade submeteram

Ao patíbulo subirei às vossas maneiras
Pois se o desejo determina sacrifícios
Sei que muitos por vós morreriam.

sábado, 19 de septiembre de 2009

"Suponho que porque vos vi, minha senhora."

A despeito de atitudes inconsideradas e um hipocondrismo que vos fomenta lamúrias sobejamente supérfluas, tendo em vista vossa razão e ímpeto ao conceber sucesso a determinados objetivos, o conformismo que concerne a vossos infortúnios, torna aquela razão pura vaidade...

Amargura-me vos ver atarantada
Vosso eflúvio determina empatia
Aturdido então, qual o único que sofria
Como sói que vós sois quem sente nada

Porém, naquela face, o que via?
Se já vingastes-me ao tornar Amor dissabor
Tal como sei que sofreis porque tens amor,
O amargo destarte vos inebria

Indulgência em sutis palavras
Pelo vento levadas ao esquecimento
Conquanto de vós faláveis

Vejo pois, a contradição deste tormento
Sendo agora vosso portento minhas desventuras
De tal fado m'o libertareis?

... Camões toma a palavra como paliativo:

"Porém se então me vedes com acerto,
Esse áspero desprezo com que olhais
Me torna a animar a alma enfraquecida.

Oh, gentil cura! Oh, estranho desconcerto!
Que dareis co'um favor que vós não dais,
Quando com um desprezo me dais a vida?"

domingo, 23 de agosto de 2009

Na resigna.

Ocupar-se da moral de outrem é uma atividade soberbamente vaidosa que amiudemente possui o desígnio de imputar uma espécie de grau hierárquico mediante à observação da vigência e capacidade faustuosa, pela qual ela proporciona tanto a si quanto a outros as possíveis concupiscências e estimativas sociais de caráter exaltado - salvo o termo nobre, que ali poderia ter um sentido bastante pleno, por conceber que ser nem sempre é perceber, e a asserção contrária também é aplicável ao axioma, uma vez que em algumas oportunidades a atitude mentirosa, que pode ser tão presunçosa e mal sucedida através de seu artifício, quanto a fantasiosa que sendo hipócrita pendem-se a juízos tão errôneos quanto são suscetíveis. - Portanto, pensar no trabalho como uma maneira de abstrair-se do ócio, tédio, talvez do conhecimento necessário, afinal, estudar é sempre visto como uma "coisa boa" quando se possui um determinado mérito por tê-lo feito, mas, no momento em que o indivíduo decide-se por perquirí-lo e fazer medrar este conhecimento, algum desatinado torna a ele e lhe pergunta: para quê? Às vezes o eflúvio de ignorância é demasiado inebriante, pois, por crermos que ao considerar a alguém bastante próximo a nós como semelhante essa pessoa esteja apenas desejando nos fazer rir ou injuriar-nos ao demonstrar semelhante simploriedade e dissimulação; então, como se momentaneamente a circunspecção fosse transfigurada por esse senso comum, nossa razão é arrebatada, a diferença interposta através do conformismo sobrepuja-se sem muitos argumentos, e ainda melhor se houver a ausência destes.

Logo, com um divisar bastante obtuso e arrojado nosso indivíduo é induzido a um grupo de marionetes. Doravante, a instância por tomar a palavra causa prúrido ao psicólogo, que nesta ocasião não intenta coibir o indivíduo de seus almejos e ensejos controlando o fluxo natural do sucesso das pretensões que lhe são peculiares, mas discernir o processo ao qual pode submeter-se por carência ou mesmo privação do senso crítico e fomentação de um intelecto, intrínseco a condutas soberanas e deliberadas com acuidade que em poucos casos são desafortunados.

Durante a puerícia, a descoberta dos métodos a serem utilizados para facilitar uma volúpia desmedida com o assentimento dos demais convivas, que frequentemente através de uma simples representação da silhueta restringem um indivíduo de índoles inerentes à subsistência de desejos (ainda que os mesmos possam ser quiméricos) e, o mesmo ocorre a seu próprio instinto de autopreservação mediante à prática de uma aprendizagem sociabilizada com a casta à qual lhe é refletida a unificação de classes que demonstram-se paradoxais ao serem coexistentes com interesses reciprocamente insaciáveis e desdenhosas de suas divergências.

Ao dar-se pelo tino, a sublevação contundente, porém íntima, torna-se aparente, e nesse momento demonstra-se imprescindível o rompimento dos grilhões, ou mais ordinariamente como é dito, 'quebrar as correntes' e ser "cruel", qual precipitadamente julgam-nos ser, quando o que expomos é opinião e meticulosidade. Esta é uma maneira de evitar estratagemas que conduzem à miséria pela qual lamuriam-se os impelidos à falsidade da convencional comodidade por negligência. Em situações similares, a pusilanimidade é o estado permanente ao qual a consciência é suscitada, inúmeras vezes demonstra seu suplício por meio de suas emancipações de vivências sempre simbolicamente encrustrados em seus gracejos e paradigmas mordazes.

As expressões faciais têm em si as concreções de emoções às quais os contempladores sentem-se tocados a inferir um estado, ainda que erroneamente, através da verossimilhança dos mesmos serem paradoxais à determinada feição. Não obstante, tal conjectura se esqudrinhada com veemência pelo indivíduo por ela tomado, pode conduzir à suplantação da razão por intermédio de frivolidades ou avidez da vontade; os qual insolitamente são temporários. Sintetizando análogas características, e excetuando a vaidade humana, tornamo-nos um tanto que semelhantes a outros animais: desconchavados, instintivamente os mecanismos de defesa imanentes do ser manifestam-se recalcitrantes a qualquer possível frustração; a despeito da limitação interposta involuntariamente pela natureza, através do despojamento do raciocínio, uma vez que nosso caso seja excepcional, é indispensável a consolidação deste acidente porquanto o mesmo possa vir a ser designado qual uma "luz natural", não necessariamente por intuito de ofuscar a visão daqueles que podem ser similares (ou não) por intermédio de um pernosticismo regurgitado, mas de fato para não oscilar com um obscunratismo irracional.

miércoles, 22 de julio de 2009

Mente Errada


Entre passos ousados,
Um vulto calado
Ainda assim, muito notado
Nos olhares do mundo vulgar

Entre a penumbra ela passa
Quase se perde. Quase se encontra.
Quase fica. E segue.
Imperceptivelmente nervosa

Pisa no tapete dourado:
As luzes de uma praça
Que some aos meus olhos
Enquanto ela surge.

Ela mostra o que sempre escondeu:
O corpo certo de mulher
A qual pertence aquela mente.

domingo, 5 de julio de 2009

Tempo, éter, tudo, nihil..

"[..] - Qual é, de todas as coisas do mundo, a mais longa e a mais curta, a mais rápida e a mais lenta, a mais divisível e a mais extensa, a mais negligenciada e a mais lamentada, sem que nada se possa fazer, que devora tudo o que é pequeno e que vivifica tudo o que é grande? [..] Zadig disse que era o tempo.
- Nada é mais longo - acrescentou - porquanto é a medida da eternidade; nada é mais curto, porquanto falta a todos os nossos projetos; nada é mais lento para quem espera, nada mais rápido para quem desfruta a vida; estende-se em grandeza até o infinito; divide-se até o infinito em pequenez; todos os homens o negligenciam, todos lamentam a sua perda; nada se faz sem ele; faz esquecer tudo o que é indigno da posteridade e imortaliza as grandes coisas. [..]"

Voltaire - Zadig ou O Destino


De acordo com a idéia cronológica dos gregos, em que o tempo é circular, qual seja ele um processo repetitivo analogamente fundamentado nas transformações decorrentes da natureza: na primavera as árvores florescem, no verão dão frutos, no outono perdem as folhas, e no inverno parecem mortas. Então o ciclo é retomado pelo advento da primavera, através deste raciocínio a decrepitude e o fenecer não são interpretados como tragédias, mas como renovações.

Contudo, o tempo ao qual somos inexoravelmente imputados, ainda que um tanto quiméricamente, atemoriza a muitos por conduzir à degenerescência e expiração; o que fomentou a insana busca pela preservação da juventude de antanho, e por conseguinte desvalorização do que é senil, inclusive pessoas. Esse pensamento não foi cabalmente disperso, todavia, raramente executa-se o procedimento ao qual os intransigentes do estado de senectude de outrora eram mais propensos; deparam-se pois com o desfecho por meio daquilo que negaram um dia vir a ser.

Imaginar uma posteridade gloriosa e arraigada em sucessos e satisfações, frequentemente torna-se algo depreciável se suscitados formos a uma condição obsoleta, o manifestar de desgostos fisiológicos, a desvalorização estética, etc.; dentre inúmeros outros desprazeres acarretados pela vaidade momentânea.

Afortunados são os que ponderam seus juízos e se utilizam da boa consciência para contrastar aspectos negativos, tais como a simples visão deturpada que muitos concebem sobre o clima chuvoso à noite. Pela símile do momento e apologia aos gregos, segue a contemplação.

Quando da infinidade da abóbada celestial a convalescença da intempérie irrompe em fulgores ao horizonte, trespassando as frondes da aléia, o soberano itinerário Apolíneo assume passo derradeiro, abrandando a atmosfera sombria à qual sobre o lençol de Morfeu a altaneira e silente Lua com sua serena à superfície terrestre desposará.

miércoles, 1 de julio de 2009

Equívocos

Se ao deparar-se com o termo "indiferença" pela primeira vez, um jovem predisposto de preceitos escrupulosos e uma educação levemente atenuada, incorre à inferência de um significado por autossugestão caracterizada pela desconstrução do enxerto estabelecido mediante ao prefixo que incita a interpretação de uma negação, uma conclusão errônea. Embora a origem latina determine: in- 'privação, negação'; não é esse o entendimento que nos fora transmitido, qual nos demonstram os léxicos.

Respectivamente observando os dicionários Houaiss, Luft e Aurélio, encontram-se os diferentes desígnios: falta de interesse ou sensibilidade, despreocupação, desprendimento; frieza, apatia; que não apresenta benevolência ou malevolência. Entretanto, tais denotações são um tanto mais aparentes quando concernentes a objetos ou quando um indivíduo torna-se objeto, com base em sua utilidade ou valor, independente de qual seja este.

A despeito destas considerações, muitos indivíduos se utilizam da indiferença como uma maneira de demonstrar um desdém específico, que é irrefutavelmente notável ao alvo desta atitude com intúito de inferiorizar. Sem darem-se por conta de que a simplicidade e a afabilidade ainda que desinteressadas podem ser tanto mais proveitosas que uma indelicadeza estática, os procedentes de tal conduta fazem questão de manter imutável o conceito desta, manifestando concomitantemente a volúpia e elegância sentida ao expressar-se através do silêncio e impolidêz, tanto a seu suposto alvo quanto a coniventes.

Abstraindo-se esta atitude como componente de outro processo ao qual muitos deleitam-se ao considerar insuportável, ou seja, a falsidade à qual utilizam-se incautos e despercebidos porém, nota-se quão necessária é a contradição para a subsistência de suas crenças, sociabilidade, desenvolvimento, etc. Analisando alguns princípios como estes se obtêm respostas de instância muito ordinárias como: "por que as pessoas são tão incrédulas entre si?", "por que há tantos conflitos entre eles?", "por que a atmosfera deste local tem de ser tão negativa?".

domingo, 14 de junio de 2009

I Maratona de Arte Sequencial SESC

No próximo dia 27 de junho acontecerá a Primeira Maratona de Arte Sequencial SESC, ou, o 12 Horas de Quadrinhos. Consiste este no concurso exigindo a produção de no mínimo 12 páginas de "Quadrinhos" em 12 horas.
Haverá premiação diversa para os primeiros colocados. Podem participar todas as pessoas maiores de 10 anos, que se enquadrarão nas categorias infanto-juvenil (até 16 anos) e adulto (a partir de 16), individual ou em dupla. O tema será especificado no momento do concurso.
A inscrição custará 10 reais somente, e dará direito a 3 lanches e mais uma camiseta.
O evento ainda continua no dia 28 com o dia todo de palestras e debates inmperdíveis.

Para a cidade o evento é um marco. De fato podemos observar o crescente investimento na educação em Foz do Iguaçu, o que está me surpreendendo e mudando minha opinião sobre a cidade, que assim mesmo deixa a desejar. Mas cabe a nós mesmos fazer um esforço pra mudar.
É o que comentamos sempre: Não tem nada, mas quando tem, ninguém vai.

Vejam a programação e mais informações:

Sábado - 27/06 - 09h30 às 21h30

* "12 HORAS DE QUADRINHOS": concurso que premiará as melhores histórias em quadrinhos.
Limite mínimo de páginas:12
Tempo máximo: 12 horas.
Temática: será apresentada no dia pela organização do evento.
Modalidades:
1. Infanto-juvenil: 10 à 16 anos
2. Adulto: acima de 16 anos.
Obs.: podem ser realizadas individualmente ou em dupla.

Inscrições: No SESC até o dia 25/06.
Valor: 10,00 - 3 lanches + camiseta.

Normas para a participação: http://conforquadrinhos.blogspot.com/2009/05/maratona-sesc-de-arte-sequencial.html

Domingo - 28/06 - 09h às 19h30 - Atividades gratuitas

* 09 às 12h - CINEDEBATE
Tema: Will Eisner - Profissão Cartunista.
9h às 10h30 - Apresentação do filme sobre a biografia do grande gênio dos quadrinhos Will Eisner - o pai das Graphic Novels e do conceito de arte sequencial.
10h30 às 12h - Debate

* 15h às 17h - PALESTRAS TEMÁTICAS:
1. Graphic Novel: HQs para adultos. Palestra que abordará o conceito de graphic novel, apresentando títulos interessantes e discutindo o potencial oculto das histórias em quadrinhos.
Palestrante: Pedro Marcelino. Quadrinhista profissional e professor de Quadrinhos do SESC.
2. Semiótica aplicada aos quadrinhos: Palestra que apresentará a visão da semiótica (ciência que estuda os signos de comunicação) com relação aos quadrinhos.
Palestrante: Rodrigo Guedes. Diretor de criação da Trafor - agência de comunicação.

* 17h às 18h - DEBATE
Tema: O novo rumo dos quadrinhos.
- Quadrinhos como forma de arte
- Quadrinhos como literatura
- Quadrinhos como ferramenta de comunicação científica
- Quadrinhos com o ferramente para educação

* 18h30 às 19h30 - Premiação do "12 HORAS DE QUADRINHOS"
Entrega dos prêmios para os vencedores do "12 HORAS DE QUADRINHOS".

Apoio: Shopping JL Cataratas, Livraria Nobel, Papelaria Ideal
Realização: SESC Foz do Iguaçu e Confor artes visuais

Evento sem fins lucrativos.

O valor da inscrição da maratona será destinado a compra dos lanches oferecidos aos particantes durante a atividade.

Mais informações:
http://conforquadrinhos.blogspot.com/

lunes, 25 de mayo de 2009

Paranóia justificada.

Obsessão, obsessão! Uma face torna-se várias, embora todas desenvolvam a similaridade de uma feição, que ao coração fomentam a palpitar por medo e desespero do estado a irromper. Olhares atinados e sagazes vasculham os cantos mais fugazes aos quais com passos acurados uma corrida precipito, crendo estar do "perigo" abstraído, prossigo, com ela deparo e logo vomito!

Efígie de esfínge
Face de caleidoscópio
Ah! o ópio!
Que da bela papoila 
Como tu floresce
Imprevisível moçoila

Nascer e morrer
Que inestimável contradição
Pouco tempo me fora garantido para te ver
Arre! Que feneças na escuridão!
Tão diferente tornas "ter" de "querer"
Um pretérito em prol de futuro decidira de ti abster

Perante ao inferno por contemplar
Respiro desse mesmo veneno a desvairar
Por tantos recantos a caminhar, me escondo
Aguardando unicamente por uma imagem a observar
Quando subitamente do nada uma figura ilustra
Com tal ostentação e vigor, só poderia esperar a ti, Zaratustra!




miércoles, 20 de mayo de 2009

Irrefutável.

Ontém, inopinadamente qual frequentemente se sucede, tornei a encontrar um amigo que porventura sempre proporciona-me um estado anímico formidável, e não fora muito diferente nesta ocasião. Entretanto, demonstrava uma insatisfação peculiar em sua face, e apesar do fato de que muitos indivíduos tem arrebatados de si o ânimo concomitantemente aos raios de sol durante uma intempérie, não podia contar com essa proposição, porquanto, a despeito de estar circundado por árvores tenebrosas que contribuem para velar as tardes com um gris moribundo, a abóbada celeste permanecia resplandecente e desanuviada.

Sem a necessidade de inquirir a respeito de tal emoção que sobrepujava, ele relatou-me o seguinte: "Era aproximadamente dez horas da noite, quando da igreja minha mãe tornava; ela trazia uma rosa que provavelmente apanhara durante o itinerário de volta Logo ao chegar, entrou em meu quarto e disse-me: "No dia de hoje, já disse-lhe eu que o amo?"; tais palavras dilaceraram meu exangue coração, pois sabia que haveria algum motivo ao qual ela renunciara sua razão contumaz. E estava certo ao afirmar a mim mesmo tal circunstância, uma vez que ela iniciasse a palrar sobre um fulano que verossimilhantemente era filho adotivo de outrem.

Assim que ela terminou com sua hipótese, pus-me a replicá-la: "Que importa-me tais fatores se não é isso o que demonstrais, passais o dia inteiro a conspurcar-me deixando-me acabrunhado e irresoluto pelo fato de nunca tê-la faltado com respeito e aflição e agora metei-vos a insinuar tamanha mentira?"; seus olhos marejaram-se e também os meus, visto que ainda que sinta ingente rancor, amo-a Porém, para exceder meu sofrimento, ela trouxe-me um pedaço de impresso que levara consigo ao sair do templo, no mesmo continha uma oração estipulando uma conduta que só deveria ser seguida por ela
"
Compreendi que a oração tratava-se de atitudes que só poderiam ser hauridas por sua mãe, visando que concernia a respeitar opiniões, pessoas, enfim, abstrair toda ignorância inerente ao caráter dela. Consternei-me com sua conjuntura, e mesmo sabendo que fora ele batizado e tenha deixado de praticar o catolicismo por há muito de per si ter perdido qualquer resquício de fé; não seria ao resgatá-la que sua mãe tornar-se-ia menos recalcitrante.

martes, 5 de mayo de 2009

O apartar

"[..]10 de Setembro de 1771



[..] " Mas, Werther, tornaremos a nos encontrar? A nos reconhecer? Que pensais disso?

"Carlota", disse eu enquanto pegava sua mão e sentia meus olhos cheios de lágrimas, "nós haveremos de nos reencontrar! Aqui e lá, nós haveremos de nos encontrar!..." Não pude prosseguir... Guilherme! Tinha ela de me fazer semelhante pergunta no momento em que eu abrigava em mim a idéia de uma separação tão cruel? [..] "

- Goethe - Werther


Incomensurável é o número de entes queridos que desafortunadamente nos são arrebatados em diversas ocasiões de nossas existências, porquanto seja inevitável estimar a procedência concebida a cada gênio a fim de tanger a orla de um comodismo progressivo. Não obstante, as venturas ou desditas que nos são proporcionadas nem sempre são frutos de nossa vontade ou volúpia; visando que o futuro da posteridade seja amiudemente sujeito aos caprichos de seus predecessores.

Todavia, essa não é a única maneira à qual nos é suscitada a miséria da separação concernente a indivíduos pelos quais carecemos em indeterminados aspectos, momentos, situações, etc.; entrementes, todos temos noção de como pode ser realizado tal processo. Por havermos sofrido semelhantes consequências que nos impelem a dissabores, a despeito de nos afugentarmos intimamente em desconcerto, logo, jungimos os fatores sem menosprezar as percas e tornamos a nos deparar com uma bonança, ainda que a mesma seja leviana e interina.

As despedidas nem sempre nos são propícias, pelo método ao qual nos utilizamos ao realizá-la, a incapacidade de conter nossas emoções, que são esporadicamente vivisseccionadas ao ensejo submetido; consubstanciamos então o afeto ou sentimento inerente ao objeto dessa apreciação. Mas, e se ao limiar dessa ocorrência vilipendiarmos uma atitude que deveras possa ser benfazeja com base em limítrofes de aprendizagens empíricas ou mesmo de um estoicismo deslumbrado? Doravante, teríamos a oportunidade de introspeccionarmo-nos e portentosamente concluir que ao apartarmo-nos de situações, resignas ou restringimentos fornecidos pelo indivíduo, não fizemos nada além de ponderar nossa sina.


O desdenhoso

Abandono muitas coisas,
Deixo-as correr ao acaso,
E por isso dizeis que sou desdenhoso.
Quando se bebe em copos muito cheios
Deixa-se cair muita bebida,
Nem por isso continueis a considerar o vinho pior.

Nietzsche - A Gaia Ciência



miércoles, 22 de abril de 2009

Rama Lama Ding Dong

Noite retrasada eu não dormi. Minhas narinas estavam secas, no dia anterior tive de fazer inalação e toda essa frescura. Durante a noite minha gata, Shílo estava caçando algo na sala, onde eu durmo agora, era alguma mariposa, ou borboleta... Liguei a luz, era daquelas grandes e negras...
Deixando as duas em guerra, continuei em meus pensamentos que não me abandonam. logo tudo silenciou. "Pobre mariposa", pensei.
Ao despertar lembrei de algo que um amigo disse: Essas mariposas grandes trazem energias ruins, más notícias. Você precisa soltá-las, pra que a energia ruim vá embora com elas.
Eu respondi: Você acredita mesmo nisso?
Mas depois passei a me indagar sobre o acaso de no meu aposento ocasionalmente aparecer uma dessas, justamente no meu quarto. ¬¬'
Foi então que eu estava terminando minha noite, quase perfeitamente, com tudo feliz e indo bem... Quando alguém fala comigo: Você sabe que a Dhayse vai embora?
Mais uma noite sem dormir, amanhece, e a chuva está caindo... Hoje completa-se um ano do falecimento de minha avó. Há um ano, nessa hora, eu estava abraçado a um travesseiro que ganhara de alguém realmente especial, chorando sobre todas as minhas perdas dos últimos tempos, clamando por um abraço. Fui para o meu antigo quarto, e lá estava a mariposa, ainda viva e sem um pedaço da asa. Por duas noites ela sobreviveu, me deu pena vê-la se debatendo, voando e batendo no vidro da janela.
Mas uma raiva me acometeu, como tem acontecido frequentemente, eu senti uma angústia e vontade de matar quem quer que fosse. E não foi diferente, eu tirei a vida dela, como se a culpa fosse da mariposa, como se eu fosse supersticioso. Como se eu fosse vingar ou resolver qualquer coisa.

Coincidências, coincidências... O universo brincando comigo.



I love her love her love her so
And I'll never never let her go
One thing is certain
She's mine oh mine
All of the time

I've got a girl named
Rama Lama Lamalama Ding Dong
She's everything to me
Rama Lama Lamalama Ding Dong
I'll never set her free
'Cause she's mine all mine


Te amo, mana rama lama ding dong!

viernes, 17 de abril de 2009

Sketchcrawl Brasil II 11/04




Antes de qualquer delonga: Muito obrigado a todos os participantes do Sketchcrawl em foz do iguaçu (e de todo o mundo, claro!). Sua presença foi indispensável para o sucesso de nosso evento. Espero que a satisfação seja mútua.


Sobre os apesares: Quatis devoradores de mochilas alheias, repórteres com problemas de interpretação, sequestros por motoristas de ônibus psicopatas das cataratas, empadinhas que custam R$ 3,50, turistas curiosos, e pássaros vandalizando meus desenhos à la GG Allin. Não tenho nada mais a reclamar, nada mesmo. Foi um prazer estar com todos, espero encontrá-los em breve, seja para desenhar ou papear.



(eu era JESUS ¬¬')

Que venha o próximo Sketchcrawl!

miércoles, 15 de abril de 2009

Da idiossincrasia.

Ao decurso das interposições de intuitos recíprocos entre indivíduos pertencentes a um grupo social e aspirantes do mesmo, determinadas formas de conduta são estipuladas e irrefutavelmente outras abstidas visando um comportamento a ser incorporado de maneira favorável ao meio predisposto. Não obstante, propensões adversas podem contribuir com a degenerescência dentre os respctivos membros e a confraria em si.
Indubitavelmente, a adesão a um meio é específica, porquanto se faça imprescindível a deliberação relativa a aspectos intrínsecos do mesmo, casualmente esta atitude perscrutadora se faz presente e imanente naqueles que são providos de uma certa sagacidade e razão. Por conseguinte, um mimetismo equânime é postulado, índole à qual um caráter é prescrito.
Uma vez que 'nosso indivíduo' esteja, circunscrito em tal ambiente, suas aprendizagens empíricas concomitantemente relacionadas a intervenções extrospectivas ao meio, fomentam introspecções às quais escrúpulos amiudemente preponderam suprimindo muitas vezes virtudes e propósitos íntimos. Análoga situação solicita um procedimento estimativo dos interesses preexistentes ou adquiridos ao longo desse itinerário interpessoal, e secundariamente, por ser um fator usualmente excepcional, é considerada a preservação da dignidade perante aos semelhantes e a demanda de métodos que tornem verossimilhante o desenvolvimento do ser.
Contanto que haja ponderações em suas decisões e julgamentos (ainda que possivelmente se encontre  incrustrado de razões e pathos alheios), se o que se deseja é tornar-se notável, diligente ou preceptor de qualquer virtude que exija reconhecimento, portanto; a menos que possua-se uma característica adstringente que concerne à sociedade, percorre-se uma copiosa jornada cumulativa.

jueves, 9 de abril de 2009

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela."


"Havia em uma vila duas casas vizinhas, distintas das demais. elas não tinham cercas ou brigas. Filhos amigos, churrascos no quintal, jantares de feriados. Até que certo dia a família da esquerda resolveu adquirir um coelho como animal de estimação. A da direita, no mesmo dia, um pastor alemão. Instalou-se o medo, mas foi a surpresa que ambos, Little Bunny fofinho e branquinho, com seu lacinho vermelho, e Rey Psicosis com sua capa preta e dentes afiados... tornaram-se amigos desde infância.
Passaram-se anos. Psicosis e Bunny pareciam mais crianças que animais de estimação. Tudo ia tão bem, até que dia tal tiveram uma emergência de família os vizinhos da esquerda, "precisaram viajar sexta, tendo que deixar o coelho sozinho" disseram os donos do cachorro. Ao entardecer domingo, durante o churrasco de família o cão aparece, junto ao coelho, estava esse ultimo, no entanto, todo sujo, imundo... morto na boca do cão, que abanava a cauda com felicidade.
Dada a devida surra em Psicosis, trancando-o no porão, pensaram no que fazer, estragar a felicidade das famílias, estragar os sonhos dos filhos do vizinho, ou tomar alguma atitude? Era no anoitecer que eles chegariam, haviam poucas horas.
Decidiram então lavar o coelho, com xampu, secá-lo com secador e escova. Perfumado e com um novo laço vermelho, foi deixado nos fundos da casa do vizinho, que logo chegaram...
Para não levantar suspeitas foram até lá receber-los!
- Olá vizinho!
- Ora! Como vão vizinhos?!
- Bem, e como foi a viagem?
- Complicações, muito cansativo, tudo o que quero agora é descansar.
- Entendo, pois fique à vontade e tenha um bom descanso - disse ele sentindo a culpa no coração.

Minutos depois ouvem-se os gritos das crianças. Fazendo-se preocupados os donos de psicosis que chorava no porão lambendo suas patas feridas da surra, saem ao quintal. De pronto saem os donos do falecido bunny totalmente pálidos e perplexos dizendo:
- Vizinho... algo muito terrível aconteceu em nossa casa!
- Ora, mas o que foi? - Diz ele em tom de inocência. e gaguejando o outro responde:
- Li-li-ttle Bunny morre-re...
- Morreu??? - interrompe esse, simulando a triste surpresa.
- Sim morreu... Sexta-feira!
- SEXTA??
- Sim, enterramos ele antes da viagem... E agora lá está, limpo e como antes, em nosso quintal!"

...

Verdade, veracidade, realidade, sinceridade, boa fé, honestidade, autenticidade, axioma, genuinidade, máxima, lei. Tantos nomes, tão esquecida... Pois famosa é a expressão afirmando que as convicções são maiores inimigas da verdade que a própria mentira.

Preconceito, prejuízo, prevenção, superstição, convicção, convencimento. Pra você, a verdade é absoluta ou relativa? Vejamos. A priori temos que tente eu, Stephen Hawking, Nietzsche, ou o papa provar nosso conceito de verdade, tudo que teremos são as mais fundadas ou/e infundadas... teorias. Pode-se ainda dizer que é impossível, por ora, provar qualquer que seja a verdade.
Embarcando-se nesse princípio relativizamos a verdade. E, novamente, com toda a certeza do mundo, preconizamos, pois deram-se ao trabalho, eu ou você, antes de formarmos nosso conceito, ter a decência de não falar pelas costas ou tudo pensar sem antes perguntar à Senhora Verdade, onde ela estaria? Pois ela está. E é absoluta. Está, e não se importa sobre seus conceitos ou de cada um que pensa ou não sobre isso.
A verdade estava enterrada no quintal do vizinho a todo momento, coube a eles somente crer que fora o cão o culpado, esse que faltando o amigo, farejou até encontrar e desenterrar com felicidade.
Ter consigo a ignorância e arrependimento é o preço que se paga pelo preconceito, por julgar sem conhecer.

A imagem acima é intitulada "Time Saving Truth from Falsehood and Envy", ou seja, "O TEMPO SALVANDO A VERDADE DA FALSIDADE E INVEJA".
Deparei-me com a curiosidade dos pensamentos desse autor, que pintou o Tempo alado com asas de anjo empunhando uma foice como da morte; a falsidade derrubada ao chão, despida de sua máscara; a Inveja depositada no escuro, quase escondida, mas ainda agarrando-se às pernas da Verdade; esta que repousa sentada no colo do Tempo, fitando a abóboda celeste, desnuda.
Tão sábio, mas torna-se trágico e um pouco irônico saber que a obra foi terminada na véspera do dia em que François Lemoyne, com sete golpes de punhal, tirou sua própria vida.

miércoles, 1 de abril de 2009

Sketching Around


O artista, vagamente afirmando, tem sua vocação abrangida na solidão. Pois despende várias horas em seu interior, mundo particular, ou pluralizando, mundos e frações, criando e manutenindo vidas, destinos e sentimentos. Quando não, está flagelando a realidade com o externar de sua mente, escrevendo, desenhando pintando.
Mesmo com tamanha particularidade, essa é uma polaridade atrativa entre artistas. Nenhuma afinidade é tão exuberante quanto a do intelecto; o racional sempre prevalece as relações, enquanto o carnal envelhece com sua designação e logo se transforma. Assim a união artística, cada qual com suas peculiaridades, vai além quando resolve engolir a solidão artística, banhando-se em ideias, inspirações, visões, conhecimento, desnorteando-se na imensidão da arte.


Tanto é assim que o enorme prazer de eventos artísticos, em sua pura essência me encantam, o maior do qual venho participando é o SKETCHCRAWL, a maratona mundial de desenhos, na qual artífices e atersãos de toda a esfera saem às ruas, empunhando seus lápis, sua aquarela, e seus papéis, esboçando o mundo o qual percebem e interpretam.
No dia 28 do mês último, com o intuito de divulgar esse encontro, saímos às ruas de Foz do Iguaçu, aquecendo os pulsos para o Sketchcrawl Brasil II (esse que acontecerá simultaneamente pela vigésima segunda vez ao redor do mundo), que ocorrerá no dia 11 de abril nas exuberantes e inspiradoras Cataratas do Iguaçu, deixando o convite, a todo e qualquer artista, artesão, ou indivíduo com vontade de desenhar.
O real evento é sem fins lucrativos ou recompensatórios, sendo gratuito, é no entanto independente, e qualquer condução ou consumação é individual. Não necessita prévia inscrição por obrigação, mas para atualização e contato com o grupo e seus organizadores, basta enviar um e-mail em branco para Sketchcrawl_Brasil-subscribe@yahoogrupos.com.br

martes, 31 de marzo de 2009

Discrepâncias

"O ar frio expelido pelos rastenjantes moribundos dessa necrópole
passou a ter um efeito efêmero sobre um ser que incrivelmente
carcomido por suas próprias dilacerações, consegue se ver superior
àqueles que sofrem a qualquer oportunidade de se demonstrar objeto
de suplício."

A indulgência associada à jurisdição.. ?


Qual seria a necessidade de alguma maneira de registrar a conduta dos "fiéis" no lar do "Senhor"? O mesmo por onisciência já não o haveria precogitado, por excelência em quintessência que tal pecado seria impelido pela suposta tentação? As beatas são mestras conservadoras de tal clarividência, fomentada a partir de tradições interioranas intrínsecas à sociabilidade cristã. Qualquer índole pode ser demonstrada a partir de tal corolário. Mas, sem desejar olvidar a idéia realmente fundamentada em detrimento de um julgamento, é importante deslindar e discernir alguns fatores contraditórios.
Não seria o pecado constituído da mesma tentação inicial e delinqüente? Apesar de que aos olhos humanos, ou ainda mais significativamente, aos ouvidos, a demonstração de tal substantivo é incitada de modo coerente ao verbo, (pecado: traição do dogma, desprezo do temor e confiança, e até mesmo inibição de qualquer fé, ou seja, a ignorância atinge seu valor derradeiro para com relação a seu uma vez, digo, várias vezes todo poderoso, tornando assim o ato de pecar uma mera atitude irrefletida ou esperançosa de misericórdia, afinal, Deus é piedoso) soa como o consumo de uma substância prejudicial à qual o efeito é geralmente considerado como uma conseqüência efêmera.



Interpretando tal atitude dessa maneira, indubitavelmente a prática de um interesse considerado mau, torna-se justificada, e através das obsessões concedidas após a realização da mesma, os fins esclarecem os meios. Porém, a desconfiança não deveria ser um termo extirpado do vocabulário de uma fraternidade crente no amor, na compaixão e na transigência? Por que os atores desse drama trágico prescindem da indulgência se vosso pai eterno e imaculado faz dela uma atitude rudimentar? Uma vez que o pecado seja cometido, a má consciência fica estabelecida instintivamente, logo uma responsabilidade entre credôr e devedor entra em vínculo.


Mas o que impede tal vítima de circunstâncias metafísicas, de uma redenção? Talvez efetivamente a sociedade tenha tornado notória a visibilidade das conseqüências paradoxais provenientes das regras de idiossincrasia estipuladas pelo pai dos paradoxos, esse que, além de indescritivel, disforme e prescindível, não é visível. Todavia trata-se apenas de uma divagação, a realidade demonstra que além de uma forma de despotismo, a igreja determina sua moral de costume.


Os argumentos dos quais os ascetas expõem a seu infindável rebanho, nunca deixaram de ser persuasivos e corruptores, pois os mesmos podem ser interpretados de diversos modos, não obstante, prevalecendo o intúito de autoflagelação e desprezo da sua própria vida. Ainda assim o sacerdote age com toda cautela e serenidade, porquanto os indivíduos que conservam toda sua energia em nada, estão propiciamente suscitados à exumação desse ódio adquirido subterraneamente em seu ser, relativo à sua suposta insignificância, pois o que foi criado assumiu grandeza incomensurável.


Sem dúvida os filhos da destruição assumem seus cargos de irmãos do desprezo e futilidade, visando que sua integridade fora dizimada assim que o curioso amor divino tornou-se mutável. Portanto, a igreja inquestionavelmente está ligada a justiça; um pecado contra a instituição é visto simplesmente como um crime federal ao qual o ressarcimento para com o criador não é uma possibilidade. Que espécie de julgamento é esse concedido? A vontade que o pôs em prática é inextricável, afinal, a temerosidade de atitudes conspurcantes fora dissuadida, mas sempre é mais verossímil atribuir uma justificativa divina.

lunes, 9 de febrero de 2009

Reflexão Solitária

Qual o limite do vocábulo solidão? Um único termo que sugere feições de caracterizar um estado ao qual determinados indivíduos podem se deparar. Inúmeros métodos de justificar o isolamento relativo ao que lhe completa, aborrece, ou lhe é ausente e às vezes imprescindível. Porém, em que momento o sofredor de tal conseqüência se dá por conta de que a atmosfera que o cerca é mórbida, decadente e amarelada como um olhar biliário?


Talvez ao ver-se como apreciador ou compreensivo de uma idéia ou ideal; quem sabe tal inanidade seja concebida ao depreciador do estado por resigna adquirida ao saborear ilusões imanentes a condutas emocionais pérfidas a qualquer ser que seja capaz de raciocinar. Sentimento é uma palavra que pode ser considerada uma virtude, valor em si, porém, apenas se seu significado vir a ser abrangente; e ao se manifestar em forma de índole, as atitudes para com o objeto de um possível fervor, uma paixão irrequieta, são sempre premeditadas, porquanto a demonstração de tal ímpeto seja sutil e serena, uma vez que a moral recíproca deva ser conservada.


Infelizmente todos esses preceitos são supérfluos se a vontade do ser encontra-se desolada de si, trata-se apenas de um objetivo ínfimo ao qual irreversivelmente sua dedicação derradeira se concentra, nada é tão vazio quanto o íntimo de seu espírito, nem mesmo o mais profundo e desesperador dos abismos se coteja a esse sentimento. Será que alguém mais nos dias contemporâneos, é capaz de proferir essa designação e sentir algo como um fardo a causar tensão nas artérias de maneira fatigante? Como se a qualquer instante as ramificações das mesmas estivessem prestes a romper devido a essa pressão. Se todos se sentem insignificantes ou inconsoláveis em algum momento do decorrer de suas abstrusas existências, é sensata a proposição de que cada um encontre sua resposta, ou destino. Isoladamente.


Inexaurível Nada Cronológico

Os olhos que observam o nada
Não possuem o que contemplar
Se da vida se fizera jornada
Desta talvez se deva abandonar

Mesmo não havendo algo que a isso venha suscitar
Para os mais ignorantes a resposta pode irromper
Pois se não há motivo para a ela preservar
Irrefutável torna-se para morrer

Mas o que significa essa abundância em matéria
Se de mim esse todo não necessita
O vazio interno consome as verdades por miséria
À dor do fenecer ele precipita

O desespero pelo acontecimento acarreta à ansiedade
Longo e curto é o tempo que incorre à incerteza
Desprezando assim qualquer vaidade
No caos se encontra alguma beleza

Regressivo o relógio se mantém a tilintar
Não através do tempo que continua estável a progredir
Porém, pelo estado que torna a me acabrunhar
Ecoando no vazio para da solidão me persuadir

Sombras tornam-se vultos
O menor barulho esperança
Fomentam argumentos irresolutos
O esquecimento torna qualquer um criança.

sábado, 7 de febrero de 2009

Cenotáfio

"As noites extenuantes de sofrimento esvaeceram-se juntamente com as lânguidas brumas que cingiam meu semblante, inexorável porém, submetia-me à procura de simplificações simbólicas universais..
Inane, e tomado por representações mnemônicas através de sonhos funestos,
era impelido a um repentino e angustiante despertar. Por resigna definia-se tal ser, que agora sintetiza-se a um memorial."


Ode à dama da meia-noite

Ao despertar esta manhã
Não houvera eu de ti querido lembrar
Embora teus pensamentos e semblante ao me conhecer
Ambos inatos ainda que ocultos ao me perquirir se fizeram por consolidar

A tua imagem permanecia inconstante
Nem mesmo quisera eu importância alguma lhe conceder
E tu de mim decidistes aproximar
Sem dúvida preferi me esconder

Fortuitas foram as vezes que pudemo-nos encontrar
À sombra ofuscados do invejoso sol
Que sua palidez sempre desejara arrebatar
Apreciava tuas palavras imanentes de rouxinol

Em meu devasto jardim uma flor singela irrompia
Apesar dos inúmeros espinhos, isolamento e abundância em suprimento
Pétalas não surgiam ao teu desenvolvimento
Ao decorrer de tal contemplação mórbida, minha sensatez esvaecia

Por que razão quisestes tu interpor tal entrave à minha existência
Absorvendo minha felicidade e convicção
Me conduzistes à decadência
Tornando insignificante isso que chamam de coração

Não obstante, tua serenidade me fizera aceitar
Como única necessidade concreta estabelecida para viver
Tu, ó morte divina, escolhestes meu ser para dilacerar
Neste anoitecer te amaldiçôo por não me haver concedido um simples desfalecer


lunes, 2 de febrero de 2009

Interlocutor múltiplo?

[...] Após meses de espera por uma simples resposta (tal convicção fora concedida pelos argumentos dos quais a mim você exporá, e certamente também, através de seu rancor, desprezo, sofrimento inerentes aos mesmos fatores e relativos a acontecimentos aos quais revelei-me estagnado e irascível, não obstante, temendo sua tão ofuscada apreciação reversa), mantive-me recluso nas trevas de meu desolado lar, à procura da mesma, por métodos intrincados em que submeti minha até então miserável consciência.

Segundos, minutos, horas, dias, semanas, todas as formas de estipulação do longo período pelo qual acabrunhadora e avidamente acreditei ser necessário para que você concebesse o fim da inanidade que houvera causado o fenecer de meu ser, e por conseguinte a de todos que me cercavam, exceto você; tornaram-se insignificantes meios de auto-flagelação, logo, dei-me por realizar, que não estava liberto de sua ilusão suserana, ou teria eu criado um novo símbolo de veneração inestimável ao qual concentraria com todas minhas energias o sentido do próprio desenvolvimento de meu ser? Destarte, acabara de perceber que tal decorrer de tempo seria uma perca valiosa do mesmo visando que, apesar da contagem torná-lo mais longo e impreciso, mantém-se muito escasso se a trajetória vitalícia à qual o ser humano é obstinado por entreter-se é paradoxal a um tempo psicológico (o mesmo estabelecido através de interstícios após possíveis considerações ilusórias que determinavam as auto-sugestões decadentes, sendo o mesmo creditado por suas condutas emocionais que suscitassem a catarse, não associado de forma alguma às percas reais, que tornaram-se indiferentes a uma visão fixa e moralmente acostumada; nunca dependendo do controle cronológico dessa paranóia cotidiana).

Ao realizar da desconstrução do Deus que me fora imposto pela falta de arbítrio impelida pelos outros, jamais imaginaria que seria capaz de criar um novo e com o mesmo intuito do precedente. Sei bem que imputação lhe fora determinada pela impaciência de minha consciência inepta de dissuadir sua idealização. Talvez você, por algum momento, houvesse adquirido a imagem materna à qual não possuí biologicamente. Recordar seu olhar capcioso e a palidez de seu rosto, sua hegemonia em expressões faciais, a serenidade com que você desferia as palavras, e assim deparar-me com o infortúnio de que todos esses aspectos presentes unicamente em você não eram visíveis, pois você nunca estava lá; despertava em mim uma conduta sanguínea associada a meu caráter hipocondríaco. Assim, a ansiedade tornava-se apenas um estimulante a essa pruridez insaciável. Tais entraves suscitavam-me um percurso ao qual temia que fosse o único real interesse, conservado no mais íntimo de todos os simbolismos; um subjetivismo concupiscente. Não era verdade, mas, as dúvidas que me eram causadas pela tua pureza conduziam-me diretamente a tal frivolidade. Pudera eu ter sentido a morte em ti desde o princípio, porém a teu respeito eu era incipiente. [...]