Era uma manhã ensolarada, e eu esperava por alguma coisa em um gramado, debaixo das palmeiras, que faziam um pouquinho de sombra, suficiente pra amenizar o calor. Quando então eu ouvi o vendedor de algodão doce, com seu apito com um ritmo já conhecido. Talvez estivesse esperando isso... Então eu corri, com algumas moedas na mão, queria ser o primeiro a chegar, mas essa garotinha chegou primeiro.
- Tio, me dá um rosa! - ela ordenou com doçura.
- E eu quero um azul - eu disse, quase interrompendo de tanta pressa.
- Tá certo, deu sorte garoto, é o último azul. - ele disse, com seu bigode cheio e um sorriso amarelado, mas bonito.
- Ah, não quero mais o rosa, quero azul também! - ela disse de forma impertinente, que me deu raiva.
Depois de alguns minutos de discussão, o vendedor nos convenceu de dividirmos o rosa e o azul. Sentamos em algum lugar enquanto comíamos.
- Por que você queria o azul? Tinha um monte de rosa. - eu perguntei ainda pensando naquilo.
- Porque sim. - ponto final. - e por que você queria?
- Porque parecem nuvens.
- Mas as nuvens não são azuis. - Eu olhei pro céu, e mesmo que eu sempre soubesse que elas eram brancas, fiquei confuso - E as nuvens podem ser rosa também.
- Sim, de manhãzinha quando meu pai vai trabalhar as nuvens são rosa. E às vezes o céu fica vermelho.
- Mas o céu é azul - olhei mais uma vez pra cima antes de falar.
- E quem foi que disse que o céu tem que ser azul?
- Que cor é o seu olho? - uma coisa engraçada de criança é que elas precisam perguntar algumas coisas que parece que só as outras pessoas sabem, pois pra elas não faz muita diferença, como qual o nome da cor do cabelo, do olho, ou quantos anos têm.
- Castanho. Às vezes eles ficam verde.
- Então eu vou fazer um céu castanho com nuvens rosas.
Depois de um tempo percebemos que o sabor do algodão doce azul e rosa era o mesmo, mas nossa boca tinha um colorido maravilhoso. E eu também descobri o que estava esperando naquele dia, que ninguém sabe se existia.
Não importa quanto tempo demora até acontecer, como termina ou quanto tempo dura. O tempo não existe.
Quem sabe o que existe?
Dark Seeding
Senhoras e senhores, ofereço-lhes a Dúvida!
segunda-feira, 21 de maio de 2012
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Conceito com sangue
Eu sento lá fora, com um cobertor no colo, esperando uma daquelas estrelas caírem. É noite, mas eu sento debaixo da árvore em que gravei somente a minha inicial, dentro de um coração vazio, Bebendo chá de gengibre com sangue esperando qualquer uma daquelas estrelas caírem.
Sem mais conceitos pra pendurar nos galhos, resolvo me deitar, pois decidi que amanhã cedo saírei pra comprar sementes de alguma árvore que não tenha galhos.
Boa noite.
Sem mais conceitos pra pendurar nos galhos, resolvo me deitar, pois decidi que amanhã cedo saírei pra comprar sementes de alguma árvore que não tenha galhos.
Boa noite.
terça-feira, 8 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Meu próprio túmulo
Minha cara, você é como uma flor que só exala seu perfume nas noites frias.
A mim, sinceramente, só me serve para presentear aos mortos.
A mim, sinceramente, só me serve para presentear aos mortos.
quinta-feira, 29 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Aquilo, isto, egoísmo
E aí as pessoas disseram que eu deveria pensar nelas, pois colocaram um
"ismo" no limite do meu ser, e o dicionário diz que isto (ísta) não é bom pro
Ego.
terça-feira, 20 de março de 2012
Dama Contra Rei
Brincar de sofrer a vida toda por você nunca teve graça.
Continue você brincando sozinha que não lembra mais de mim.
Continue você brincando sozinha que não lembra mais de mim.
Batom de Urucum
Nunca pedi,
Mas esqueci
Denão fazer questão
De esconder
Que eu não pude
Desprender do abraço
Que aqueci
E me perdi
Sem me defender
E...
Assim me prendi, sem querer
Pensar ou mesmo tentar
Te impedir quando você realizou meus desejos
Depois atrasou o relógio, pra não me encontrar no horário combinado.
Até lembro que dormimos sem cama
Pois se cama houvesse sequer dormiríamos
Demoraria
E no primeiro bocejo,último beijo
Veio o sol
Que ardeucomo nossa febre
Mas esqueceu
e aí fui embora
Sem me, a mim ou, te
Despedir
Nunca pedi,
Mas fui embora
Com a lua brilhando
Nos ombros
E um sorriso no (seu) quarto
Minguante
Sempre
Crescente
E você pode até ver meus olhos
Mas não pode ver os seus
E a marca que ficou
Ardeu
Na medida.
Mordeu.
E a mordida
pra sempre sorriu
Mas esqueci
De
De esconder
Que eu não pude
Desprender do abraço
Que aqueci
E me perdi
Sem me defender
E...
Assim me prendi, sem querer
Pensar ou mesmo tentar
Te impedir quando você realizou meus desejos
Depois atrasou o relógio, pra não me encontrar no horário combinado.
Até lembro que dormimos sem cama
E no primeiro bocejo,
Veio o sol
Que ardeu
Mas esqueceu
e aí fui embora
Sem me,
Despedir
Nunca pedi,
Mas fui embora
Com a lua brilhando
Nos ombros
E um sorriso
Sempre
Crescente
E você pode até ver meus olhos
Mas não pode ver os seus
E a marca que ficou
Ardeu
Na medida.
Mordeu.
E a mordida
pra sempre sorriu
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Tosse
Numa manhã escura, com gosto de noite em claro, sob suspiros de um pulmão doente e outro fumante eu escarro na pia, junto ao sangue um pouco de saudade, que logo se esvai pelo ralo. E como ratos rastejando na imundice, a saudade só se sente em casa quando está no esgoto, pois a tal saudade é assim... Ela é amarga e fede.
Às vezes eu esqueço e de tanta fome que sinto de ti, engulo o catarro. Em minhas veias e vias a saudade está em casa novamente, pois dentro de mim o coração é meu próprio e fiel esgoto.
Cansado até para respirar eu já não luto, apenas sinto, já que este é o desgraçado fato, o destino de uma alma tuberculosa...
Às vezes eu esqueço e de tanta fome que sinto de ti, engulo o catarro. Em minhas veias e vias a saudade está em casa novamente, pois dentro de mim o coração é meu próprio e fiel esgoto.
Cansado até para respirar eu já não luto, apenas sinto, já que este é o desgraçado fato, o destino de uma alma tuberculosa...
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Fumegante
Pra cada estrela que se apaga
Eu acendo um incenso...
A pele atrela e queima sua chaga
Mas mesmo amanhecendo, de sono suspenso
Cada chama espera, dorme e depois apaga
Eu acendo um incenso...
A pele atrela e queima sua chaga
Mas mesmo amanhecendo, de sono suspenso
Cada chama espera, dorme e depois apaga
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Em um Olhar
Um silêncio esvazia o universo.
Um segundo que paralisa as eras,
Como o vento que chega perto
Sussurrando gelado o seu advento...
Mas é o calor do coração que ouço
Em compassos como gritos de feras.
Para depois levar meus olhos a repouso
E tomar do adormecido o seu tempo...
Chegada a hora de seguir um caminho,
A estação de descansar as terras
Em brandos goles do vinho
E fazer da mente meu templo!
Em um olhar, o mundo que se faz parar,
É pura e leve, a imaculada perfeita esfera.
É meu e teu, o sangue que começa a pulsar
No teu olhar...um murmúrio sereno.
Meu templo na tua clara emoção!
Com o brilho da estrela que queres.
O amor vai ninando meu coração
Em um sono eterno, o qual não temo...
Um segundo que paralisa as eras,
Como o vento que chega perto
Sussurrando gelado o seu advento...
Mas é o calor do coração que ouço
Em compassos como gritos de feras.
Para depois levar meus olhos a repouso
E tomar do adormecido o seu tempo...
Chegada a hora de seguir um caminho,
A estação de descansar as terras
Em brandos goles do vinho
E fazer da mente meu templo!
Em um olhar, o mundo que se faz parar,
É pura e leve, a imaculada perfeita esfera.
É meu e teu, o sangue que começa a pulsar
No teu olhar...um murmúrio sereno.
Meu templo na tua clara emoção!
Com o brilho da estrela que queres.
O amor vai ninando meu coração
Em um sono eterno, o qual não temo...
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Olhares
Mesmo de longe, por um ou dois segundos
Nessa curteza de tempo e noção de espaço
Na incerteza e na profundeza. Era terrível segredo...
Agora não finge. Finge não ter emoção. Desregre!
Que eu finjo seguros os meus irreversíveis passos.
Nessa curteza de tempo e noção de espaço
Na incerteza e na profundeza. Era terrível segredo...
Agora não finge. Finge não ter emoção. Desregre!
Que eu finjo seguros os meus irreversíveis passos.
Prato do Dia
Como se um dia eu despertasse pela manhã, sem reconhecer as paredes ao meu redor, nem o corte de cabelo, e aí me pergunto há quanto tempo estou vivendo a vida sem pensar exatamente como fui parar ali.
De acordo com meus cálculos são 23 anos... Alguns meio morto, outros mais vivo que nunca.
Já brinquei com fogo e andei na brasa. Tentei voar sem asas. Quebrei uns ossos, quebrei o coração... Uns corações. É... As coisas mudaram muito, e a receita pra viver eu já decorei. Mas hoje eu esqueci uma panela no fogo... E o sangue ferveu.
De acordo com meus cálculos são 23 anos... Alguns meio morto, outros mais vivo que nunca.
Já brinquei com fogo e andei na brasa. Tentei voar sem asas. Quebrei uns ossos, quebrei o coração... Uns corações. É... As coisas mudaram muito, e a receita pra viver eu já decorei. Mas hoje eu esqueci uma panela no fogo... E o sangue ferveu.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Estima
Eu saí só pra procurar um rumo
E aí o destino prostou rumores
De que você esteve naquela rua
Provando a estesia que eu arrumo
E aí o destino prostou rumores
De que você esteve naquela rua
Provando a estesia que eu arrumo
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
No Doors
I gave up on you
But call me if you want.
There's no way to daunt
A love that's overdue...
(Eu desisti de você
Mas ligue-me se quiser.
Não há como assombrar
Um amor que está atrasado...)
But call me if you want.
There's no way to daunt
A love that's overdue...
(Eu desisti de você
Mas ligue-me se quiser.
Não há como assombrar
Um amor que está atrasado...)
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
I feel you
O último cigarro, o último blues. Tão piegas. Clichê como um amor zumbi. Mas a solidão é bem assim. Mesmo que todos os meus amigos estejam acordados às duas da manhã, ninguém vai lembrar minha existência. Mas uma briza traz essa presença... Que vem só pra me sentir, e depois vai embora, como aquela joaninha que você podia jurar estar do seu lado, em uma tarde ensolarada na praça, e quando volta a cabeça, ela já tinha ido, sem saber há quanto...
sábado, 28 de janeiro de 2012
Eu te amo, mas não te posso.
É difícil escrever para ela... Quando não sei bem o que sentir. Aí, meio sem voz, eu só digo sobre os gatos que a gente tem, ou a flor que eu não reguei. Enquanto penso que poderia ter segurado aquela mão, contado sobre as constelações que eu conheço.
Sabe como eu sou, ela até dá brechas, mas sou claustrofóbico demais para conseguir aproveitá-las.
Sabe como eu sou, ela até dá brechas, mas sou claustrofóbico demais para conseguir aproveitá-las.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Meu amor, por favor, não espere acordada
Uma canção de amor é só o que eu queria escrever
Mas o que sempre deixo são esses bilhetes suicidas
Que eu colo na geladeira, pra te avisar a hora que eu voltarei.
E eu te traria flores, mas elas estavam apodrecidas,
Então trouxe um pouco de poeira, da qual nunca mais encontrarei
Que fui buscar em uma estrela com seu nome, venha ver...
Mas o que sempre deixo são esses bilhetes suicidas
Que eu colo na geladeira, pra te avisar a hora que eu voltarei.
E eu te traria flores, mas elas estavam apodrecidas,
Então trouxe um pouco de poeira, da qual nunca mais encontrarei
Que fui buscar em uma estrela com seu nome, venha ver...
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